PM Erdogan compara Israel a "criança mimada" e quer deslocar-se a Gaza

Ancara, 06 set (Lusa) -- O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan acusou hoje Israel de se comportar como uma "criança mimada" e manifestou o desejo de se deslocar à Faixa de Gaza, numa nova escalada da crise político-diplomática entre Ancara e o Estado judaico.

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Erdogan, que dirige um governo islamista conservador, considerou em declarações aos "media" turcos que Israel "sempre se comportou como uma criança mimada", numa alusão às frequentes críticas internacionais pela sua atitude face aos palestinianos.

O chefe do governo turco admitiu ainda que poderá deslocar-se a Gaza, à margem de uma visita prevista para a próxima semana ao Egito, mas esclareceu que ainda não foi tomada uma decisão definitiva.

Uma eventual deslocação à Faixa de Gaza, dirigida pelo movimento islamista radical palestiniano Hamas, arrisca-se a agravar as relações entre a Turquia e Israel, antigos aliados mas em acentuada rutura política desde 2008.

Israel define o Hamas como um "movimento terrorista".

Erdogan anunciou ainda a "suspensão total" das relações comerciais e militares com Israel, após a adoção na passada semana de sanções contra o Estado judaico, que se recusa a pedir desculpa pela morte de nove turcos a 31 de maio de 2010, durante um ataque do exército israelita a uma frota que se dirigia para Gaza e ainda navegava em águas internacionais.

No entanto, um conselheiro de Erdogan esclareceu em declarações à agência noticiosa AFP que as medidas anunciadas "abrangem o comércio bilateral no domínio da indústria de armamento e não o comércio em geral".

Na segunda-feira, o ministro turco da Economia, Zafer Caglayan, tinha já esclarecido que as relações comerciais com Israel vão ser mantidas.

Erdogan anunciou ainda "outras medidas de retaliação", mas escusou-se a fornecer mais detalhes.

Na sexta-feira a Turquia anunciou sanções contra Israel, que incluíram a expulsão do embaixador israelita (mas não o encerramento da embaixada), a suspensão dos acordos militares e um recurso ao Tribunal Internacional de Justiça para contestar a legalidade do bloqueio de Gaza por Israel.

Ancara adotou estas novas medidas após a publicação na quinta-feira de um relatório da ONU onde se refere que os militares israelitas recorreram a uma "força excessiva e irracional" durante o raide contra o navio turco, apesar de reconhecer a legalidade do bloqueio naval imposto por Israel a Gaza.

PCR.

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