PM japonês envia lembrança ao polémico templo Yasukuni
Tóquio, 17 out (Lusa) -- O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, enviou hoje uma lembrança ao polémico santuário Yasukuni, vinculado ao colonialismo japonês na Ásia, mas não visitou o templo aparentemente para não piorar as tensas relações com Seul e Pequim.
Abe enviou para o templo uma árvore sagrada conhecida como "masakaki", utilizada em alguns rituais sintoístas, confirmaram à agência Kyodo as autoridades do próprio templo.
Com este gesto, Shinzo Abe conseguiu deixar satisfeitas as bases mais conservadores sem aumentar a tensão com a China e com a Coreia do Sul, defendem analistas políticos japoneses.
O templo Yasukuni, no centro de Tóquio, presta homenagem aos milhões de japoneses mortos nos conflitos armados em que participou o exército imperial entre 1853 e 1945.
Entre os homenageados estão 14 criminosos da Segunda Guerra Mundial, o que gera tensões políticas com países que estiveram sob domínio japonês no século XX, como a China e a Coreia do Sul.
Desde que regressou ao poder em dezembro de 2012, Shinzo Abe não visitou, publicamente, ao templo apesar de ter mantido as oferendas e de não criticar os elementos do seu gabinete que ali se deslocam.
Por outro lado, o chefe do Governo japonês não teve também qualquer encontro com os líderes da China nem da Coreia do Sul.
As tensões entre Pequim e Tóquio subiram de tom desde que em 2012, o Japão adquiriu um pequeno conjunto de ilha do arquipélago conhecido por Sekaku no Japão e por Diaoyu na China.
Apesar de desabitado, o pequeno arquipélago é referenciado como tendo importantes reservas de petróleo e gás, combustíveis importantes para o desenvolvimento da China.
Já com a Coreia do Sul, Tóquio disputa as ilhas de Takeshima, ou Dokdo para os coreanos, e tem diversos conflitos temáticos como a exploração sexual a que o exército imperial submeteu milhares de mulheres sul-coreanas durante a segunda Guerra Mundial.