PM são-tomense desvaloriza disponibilidade de Patrice Trovoada para assumir Governo
O primeiro-ministro são-tomense desvalorizou a posição do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que se mostrou disponível para assumir o Governo, após o Tribunal Constitucional ter declarado inconstitucional, numa decisão sem direitos retroativos, a demissão do seu executivo há um ano.
"Eu acho que era preciso ler o acórdão, que diz claramente que o efeito é para o futuro, daí que eu não vejo espaço para essa posição neste momento", disse Américo Ramos, questionado pela Lusa à saída da cerimónia de tomada de posse do novo Chefe de estado Maior das Forças Armadas, na Presidência da República.
No acórdão datado de quinta-feira, o Tribunal Constitucional (TC) são-tomense refere que o decreto presidencial de 6 de janeiro de 2025, violou vários artigos da Constituição, assim como os "princípios do Estado de Direto democrático, da separação de poderes, da proporcionalidade e da soberania popular".
O acórdão 01/2026, assinado, por quatro dos cinco juízes do TC, refere que a decisão terá efeito "apenas para o futuro eficácia `ex nunc`, ou seja, efeitos não retroativos", a partir da publicação, "por razões de equidade e interesse público de excecional relevo, do normal funcionamento das instituições democráticas e da paz social".
O ex-primeiro-ministro de São Tomé Patrice Trovoada, disse hoje à Lusa que está disposto a assumir o Governo, se o seu partido assim decidir.
"O que me preocupa é que se reponha a legalidade (...). A democracia não é só eleições, a democracia é o respeito das regras. O meu partido tem perfeitamente o direito constitucional de designar a figura para ser primeiro-ministro", disse Patrice Trovoada.
O atual primeiro-ministro Américo Ramos, instou o TC a "justificar a oportunidade, os moldes, o tempo da tomada dessa decisão" uma vez que já passou mais de um ano sobre o acontecido.
Em 06 de janeiro de 2025, o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, demitiu o Governo liderado por Patrice Trovoada (2022-2025), por "assinalável incapacidade" de solucionar os "inúmeros desafios" do país e "manifesta deslealdade institucional".
A isto, segundo o chefe de Estado, somaram-se "períodos frequentes prolongados de ausência do primeiro-ministro (...) do território nacional sem que disso resultem ganhos visíveis para o Estado e para o povo são-tomense, e se traduzem, pelo contrário, em despesas injustificáveis para o erário público".
Carlos Vila Nova salientou ainda "a falta, por parte do primeiro-ministro, de uma clara cooperação estratégica e uma manifesta deslealdade institucional, fatores que vêm entorpecendo a relação institucional que deve existir entre o Presidente da República e o Governo, através do primeiro-ministro".