PM timorense apela a que decisões da OMS em Díli se traduzam em ações concretas

PM timorense apela a que decisões da OMS em Díli se traduzam em ações concretas

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apelou hoje a que as deliberações da reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Sudeste Asiático, que decorre em Díli, se traduzam em ações concretas para a população.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Wiki Commons

"As vossas deliberações devem promover um objetivo comum: que nenhuma pessoa seja privada da oportunidade de ter uma vida saudável devido ao local onde nasceu, onde vive ou aos recursos financeiros de que dispõe", afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro falava numa mensagem gravada e transmitida na abertura da 79.ª sessão do Comité Regional da OMS para o Sudeste Asiático, que vai juntar em Díli até quinta-feira representantes dos governos dos países da região, o diretor-geral da organização das Nações Unidas, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o diretor-regional para o Sudeste Asiático, Nilesh Buddha, bem como outros peritos das Nações Unidas.

Em debate vão estar a definição de ações prioritárias para o setor da saúde do Sudeste Asiático, com cerca de dois mil milhões de habitantes, incluindo o acesso equitativo da população aos cuidados especializados de saúde, eliminação da tuberculose e promoção da utilização da saúde digital e inteligência artificial.

"A eliminação das doenças transmissíveis e a redução da incidência da tuberculose exigirão perseverança. Cada pessoa com tuberculose deve ser diagnosticada atempadamente, tratada de forma eficaz e apoiada para concluir o tratamento sem discriminação nem dificuldades", salientou Xanana Gusmão.

Dados da OMS indicam que em 2024 a região do Sudeste Asiático registou cerca de 3,68 milhões de novos casos de tuberculose e 433 mil mortes relacionadas com a doença.

O Relatório Global da Tuberculose de 2024 da OMS indica que Timor-Leste registou 6.171 casos em 2023, o que reflete o impacto do reforço da vigilância epidemiológica, que permitiu reduzir em 55% o número de mortes relacionados com a doença.

"A prevenção deve tornar-se parte da vida quotidiana. Precisamos de uma alimentação mais saudável, de menos consumo de tabaco e álcool nocivo, de mais atividade física, de diagnósticos precoces e de tratamentos fiáveis", afirmou o primeiro-ministro timorense, que sublinhou ainda um alerta relativo à saúde mental.

"Devemos cuidar da saúde mental com a mesma seriedade e compaixão com que tratamos a doença física", salientou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro timorense disse também que prioridades enumeradas não devem ser dissociadas das condições de vida das pessoas, sublinhando que uma boa nutrição, água segura, saneamento e educação começam a "moldar a saúde muito antes de uma pessoa entrar numa clínica".

"A proteção das mães, dos recém-nascidos e dos adolescentes constitui um investimento no nosso futuro. As mulheres e as raparigas devem receber cuidados respeitosos e ter voz nas decisões que afetam a sua saúde", afirmou o líder timorense.

Para Xanana Gusmão, estas ambições exigem recursos e uma "gestão responsável".

"Ao analisarem os orçamentos dos programas e a respetiva execução, encorajo-vos a manter presentes as mesmas questões práticas: o que irá mudar para as pessoas, quem dará continuidade ao trabalho e como saberemos que esse trabalho está a produzir resultados", acrescentou.

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