Poder político de Colombo declara “vitória militar” sobre os Tigres Tamil
As tropas de Colombo preparam-se para erradicar o último bastião dos Tigres Tamil e têm já assegurada uma "vitória militar" sobre a guerrilha, proclamou este sábado o Presidente do Sri Lanka. Pela primeira vez em 25 anos, o Exército do Sri Lanka assumiu o controlo de toda a linha costeira, mas as autoridades temem que os rebeldes estejam a preparar um suicídio colectivo.
A supressão da capacidade de combate do movimento Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE, na sigla em Inglês) estará iminente e o Presidente Mahinda Rajapakse fala já de uma "vitória militar" sobre a guerrilha.
"Tenho o orgulho de anunciar que o meu Governo, com o total empenho das nossas Forças Armadas, derrotou militarmente, numa operação humanitária sem precedentes, o LTTE", declarou Rajapakse a partir da Jordânia. O Presidente do Sri Lanka falava durante uma reunião de representantes de 11 países em desenvolvimento.
Pouco antes da sua intervenção em território jordano, Mahinda Rajapakse havia afirmado, em declarações difundidas pela rádio pública Sri Lanka Broadcasting Corporation, que regressaria no domingo como "o dirigente de uma nação que esmagou o terrorismo".
25 anos de guerra
Os combatentes do LTTE travam desde 1984 uma luta contra as autoridades e forças militares cingalesas pela instituição de uma pátria para a etnia tamil no Norte do Sri Lanka. Ao longo dos últimos 25 anos, a guerra causou mais de 70 mil mortos. Nas últimas semanas, o acentuar da ofensiva desencadeada pelo Exército lançou dezenas de milhares de civis em fuga: dados do Governo de Colombo apontam para mais de 18 mil civis deslocados em dois dias.
As Nações Unidas e diferentes governos ocidentais desdobraram-se em apelos à contenção por parte das forças militares do Sri Lanka. A ONU teme que os últimos resistentes dos Tigres Tamil tencionem socorrer-se de milhares de civis como escudos humanos. As chefias militares do país garantem que estarão em condições de resgatar todos os civis aprisionados no espaço de 48 horas, mas em Colombo cresce a convicção de que os rebeldes vão rejeitar qualquer tipo de capitulação. O suicídio em massa é um dos cenários mais aventados pela imprensa local.
A recusa da rendição faz parte do ideário dos Tigres Tamil, fundados por Vellupillai Prabhakaran. Crê-se que todos os chefes do movimento transportem cápsulas de cianeto. Segundo o brigadeiro Udaya Nanayakkara, porta-voz militar do Sri Lanka, os últimos dados recolhidos pelos serviços secretos indicam que Prabhakaran e os demais líderes da guerrilha permanecem na derradeira bolsa de resistência do LTTE.
Entre as vozes de apelo à moderação, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, avisou este sábado que haverá "consequências", caso o Sri Lanka não acautele um desfecho controlado da guerra.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha refere-se aos civis de etnia tamil como vítimas de "uma tragédia humanitária inimaginável".
Diante de uma câmara da estação Derana TV, uma mulher tamil perdida entre milhares de deslocados descreveu o teatro de guerra que deixou para trás: "Digam aos vossos líderes que salvem todas as nossas crianças, todos os tamil. Há crianças sem pernas. Algumas estão mortas nas ruas. Depois de ver tudo aquilo, perdi o interesse pela vida".