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Polícia australiana captura suspeitos de conspiração terrorista

Polícia australiana captura suspeitos de conspiração terrorista

A Polícia Federal da Austrália deteve esta terça-feira quatro homens que estariam a preparar um atentado contra uma base do Exército nos arredores de Melbourne. As autoridades do país acreditam que os suspeitos, cidadãos australianos de ascendência africana e libanesa, mantinham ligações com o movimento extremista islâmico al Shabaab, a operar na Somália.

RTP /
Investigadores forenses inspeccionam um carro estacionado numa propriedade do bairro de Glenroy, a Norte de Melbourne Julian Smith, EPA

Após sete meses de investigações, mais de quatro centenas de efectivos das forças de segurança da Austrália empreenderam a última fase de uma operação de contraterrorismo que envolveu um conglomerado de forças de polícia estatais e federais e os serviços secretos da ASIO (Australian Security Intelligence Organisation). Dezanove residências da cidade de Melbourne foram revistadas por unidades da Polícia Federal, apoiadas por investigadores forenses. Às primeiras horas da manhã, quatro homens eram detidos para interrogatório.

Nayaf El Sayed, Saney Aweys, Yacqub Khayre e Abdirahman Ahmed, com idades compreendidas entre os 22 e os 26 anos, encontram-se agora sob custódia das autoridades. São acusados de orquestrar um plano para o lançamento de várias operações terroristas, incluindo um ataque suicida contra o Quartel de Holsworthy, situado nas cercanias de Melbourne. Um quinto suspeito, detido há mais dias, continua a ser interrogado.

Nayaf El Sayed, de 25 anos, foi o primeiro suspeito a ser levado a um juiz. Acusado de conspiração para acto terrorista, recusou declarar-se culpado ou inocente e não tentou obter o estabelecimento de uma fiança. Permaneceu também sentado durante a audiência, numa atitude que o seu advogado explicaria com o argumento das convicções religiosas: "Ele acredita que não se deve levantar diante de qualquer homem, apenas perante Deus".

À procura de uma fatwa

Os procuradores destacados para o caso reuniram um conjunto de escutas telefónicas, transcrições de mensagens de telemóvel e registos de videovigilância, entre os quais uma filmagem que mostra um dos suspeitos nas imediações da base de Holsworthy.

Segundo o comissário Tony Negus, da Polícia Federal Australiana, "a intenção dos homens era entrar nas instalações do Exército e matar o maior número possível de soldados antes de eles mesmos serem abatidos". Os elementos agora detidos, adiantou ainda o responsável, "estavam a procurar activamente uma fatwa, ou decreto religioso, para justificar um ataque terrorista na Austrália".

Os investigadores crêem que os quatro suspeitos estiveram "envolvidos em hostilidades na Somália", onde teriam recebido treino e combatido nas fileiras do movimento islamista al Shabaab - conotado com a al Qaeda - contra o frágil Governo daquele país africano.

Na reacção ao desfecho da operação policial, o primeiro-ministro australiano afirmou que as detenções em Melbourne demonstram a premência da "ameaça do terrorismo". Uma realidade que, nas palavras de Kevin Rudd, "requer uma vigilância contínua por parte das autoridades de segurança". Apesar da inquietação manifestada pelo Governo, o nível de segurança na Austrália permanece no nível "médio", que perdura desde 2003.

Alvo potencial de terrorismo

As autoridades australianas têm vindo a reforçar o enquadramento legal da estratégia de contraterrorismo desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington. O apoio de Camberra às campanhas militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão fez da Austrália um dos alvos em potência do terrorismo islamista.

"Essencialmente, o que estas pessoas querem é mudar a política externa ocidental. No caso dos Estados Unidos, é o apoio a Israel, em particular. No caso da Austrália, são coisas como o nosso destacamento para o Afeganistão", sustentou o analista Clive Williams, um especialista em terrorismo da Universidade de Macquarie citado pela agência Reuters.

Em Fevereiro deste ano, o clérigo muçulmano Abdul Nacer Benbrika foi condenado pela justiça australiana a uma pena de 15 anos de prisão, por ter chefiado uma célula terrorista que tencionava perpetrar um atentado durante uma partida de futebol em 2005, na cidade de Melbourne. As investigações então conduzidas levaram às detenções de 12 suspeitos.

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