Polícia desconhece origem dinheiro do PT para comprar dossier
A Polícia desconhece ainda a origem do dinheiro utilizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para adquirir um dossier contra adversários do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição nas presidenciais de domingo.
A Polícia Federal (PF) brasileira descobriu apenas que os dólares apreendidos com os ois membros do PT foram enviados de um banco em Miami, nos Estados Unidos, e levantados numa agência em São Paulo.
Os dois membros do PT, detidos ao adquirir um suposto dossier, que seria utilizado na recta final das presidenciais, no mais recente escândalo do Governo de Lula da Silva, estavam na posse de um total de 1,7 milhão de reais (607 mil euros) em dinheiro.
Parte deste montante estava em dólares norte- americanos, e o restante em cédulas de reais, o que levantou a hipótese de terem origem ilegal.
Os principais adversários do candidato Lula da Silva têm insistido para que a Polícia Federal divulgue a origem do dinheiro antes da primeira volta das presidenciais.
Os adversários acreditam que a divulgação da origem poderá prejudicar a candidatura de Lula da Silva, favorito nas sondagens para vencer no domingo, obrigando-o a uma segunda volta.
"Todo eleitor brasileiro quer saber a origem desse dinheiro", salientou o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin, principal adversário de Lula da Silva.
"O eleitor tem o direito de saber de onde veio essa montanha de dinheiro antes da primeira volta", disse o candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Cristovam Buarque.
Os adversários de Lula da Silva desconfiam que a Polícia Federal recebeu orientações do Governo para divulgar os resultados das investigações só na próxima semana, após a realização da primeira volta.
O responsável pelas investigações, delegado Diógenes Curado, por seu turno, afirmou que as investigações estão a ser conduzidas de forma independente, sem a interferência do Governo de Lula da Silva, ao qual a PF é subordinada.
O Tribunal do Estado de Mato Grosso, na região Centro Oeste do Brasil, determinou terça-feira a prisão de seis membros do PT envolvidos na tentativa de adquirir o dossier.
Entre eles está Freud Godoy, segurança pessoal de Lula da Silva, e Jorge Lorenzetti, amigo pessoal do actual Presidente e um dos responsáveis pelo comité de campanha de reeleição.
Trata-se da primeira vez que é autorizada a prisão de membros do PT directamente ligados à campanha do Presidente Lula da Silva.
Lula da Silva condenou a tentativa de compra do dossier e classificou terça-feira como um "bando de aloprados (loucos)" os responsáveis pelo mais recente escândalo de corrupção a envolver o seu governo.
Agentes da Polícia Federal detiveram há 12 dias o empresário Luiz António Vedoin, acusado de chefiar a "máfia dos sanguessugas", e dois homens ligados ao PT.
A "máfia das sanguessugas" foi o maior esquema de corrupção já descoberto no Congresso brasileiro, com o envolvimento de mais de 80 parlamentares, cerca de 12 por cento do Parlamento.
A fraude, segundo as investigações, consistia na aquisição de ambulâncias com valores superiores aos de mercado, a partir de concursos públicos do Ministério da Saúde, ganhos sempre pelas mesmas empresas.
Luiz António Vendoin, que estava em liberdade porque colaborava com a polícia nas investigações do escândalo da "máfia das sanguessugas", foi detido ao vender as supostas provas que prejudicariam candidatos do PSDB.
Os documentos foram adquiridos por Valdebran Padilha e Gedimar Pereira Passos, também detidos, que confessaram à Polícia terem agido sob a orientação da direcção nacional do PT.
Entre os documentos, estariam fotos e vídeos que mostrariam o suposto envolvimento de Alckmin e do candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, José Serra, com a "máfia dos sanguessugas".