Polícia espanhola contradiz Sánchez e aponta agentes de Rabat na invasão de Ceuta

Polícia espanhola contradiz Sánchez e aponta agentes de Rabat na invasão de Ceuta

Polícia espanhola contradiz o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que descartou perante o Congresso qualquer envolvimento de Rabat no fluxo abrupto de migrantes marroquinos em direção a Ceuta.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: David Canales - SOPA Images via Reuters Connect

Um relatório da Polícia Nacional espanhola aponta o envolvimento de agentes marroquinos na entrada massiva de migrantes em Ceuta em finais de julho.

A informação do relatório da polícia contradiz a versão do Governo de Pedro Sánchez, que negava qualquer envolvimento de Marrocos.

O relatório refere que polícias marroquinos terão conduzido os migrantes até à fronteira, sob ordens de agentes à paisana. A oposição acusa Sánchez de ter escondido informação e exige explicações a Marrocos.

Na última quinta-feira, em explicações aos deputados em pleno Congresso, o primeiro-ministro espanhol deixava a garantia de que “não há provas concretas de que Marrocos tenha planeado ou orquestrado” a invasão de migrantes de há um mês.

Pedro Sánchez sublinhou que nenhuma entidade ou organismo internacional “forneceu ao Governo espanhol provas concretas de que Marrocos tenha planeado ou orquestrado” uma operação em Ceuta.

Sánchez descartava assim o envolvimento direto de Rabat na crise migratória em que cerca de 70 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Ceuta e Marrocos em menos de 48 horas, acontecimentos que se saldaram num balanço de mais de 80 vítimas mortais.

A questão do possível papel de Marrocos nestes incidentes permanece no centro do debate em Espanha e na quarta-feira um relatório policial divulgado na imprensa apontava para uma “permissividade” das autoridades marroquinas neste movimento de milhares de pessoas.

Apesar do seu posicionamento face a um possível envolvimento das autoridades marroquinas, o líder do governo espanhol não deixou de criticar dois ministros de Rabat.

Pedro Sánchez condenou as declarações dos governantes depois de estes terem reclamado direitos sobre Ceuta e Melilla, territórios espanhóis no norte de África: “Ouvimos dois ministros fazerem declarações inaceitáveis sobre Ceuta e Melilla. Declarações que rejeitámos categoricamente e pelas quais, informo, convocámos o embaixador marroquino no dia 21 de agosto”.

“Durante séculos, estas duas cidades foram espanholas. E asseguro-vos que, para o governo espanhol, assim permanecerá para sempre”, declarou o presidente do Governo espanhol, deixando um apelo ao rei Felipe VI para que visite aqueles enclaves nas próximas semanas, forma de sublinhar “o compromisso absoluto do Estado” para com os dois territórios.

A última visita registada de um monarca espanhol remonta a 2007, há quase duas décadas, viagem que desencadeou na altura uma crise diplomática com Marrocos, que reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla.
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