Polícia indicia presidente da Assembleia do Rio de Janeiro por ligação ao Comando Vermelho
A Polícia Federal do Brasil indiciou hoje o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, por divulgar informações sigilosas ao Comando Vermelho, a maior organização criminosa da `cidade maravilhosa`.
Para além de Rodrigo Bacelar, segundo a imprensa local, foram ainda indiciados o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como "TH Joias", e outras três pessoas.
Rodrigo Bacellar, que pediu licença da presidência da Alerj, foi preso preventivamente a 03 de dezembro de 2025 por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Poucos dias depois, a Alerj votou a favor da libertação do seu presidente.
Os deputados estaduais apoiaram a revogação da detenção de Bacellar por 42 votos a favor, principalmente de representantes da direita, contra 21 votos.
Segundo um comunicado do Supremo Tribunal Federal, que ordenou a detenção de Bacellar, "existem fortes indícios" de que este participou na obstrução de operações policiais e colaborou para frustrar o cumprimento de mandados judiciais contra o ex-vereador e ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como "TH Joias".
"TH Joias" foi detido em setembro de 2025, acusado de ter servido de intermediário com o Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais antigas e perigosas do Brasil, para a compra de droga, armas e equipamentos anti-drone.
De acordo com o juiz Alexandre de Moraes, que determinou a detenção, os factos relatados pela Polícia "são gravíssimos", uma vez que Bacellar estaria a obstruir investigações e ações relacionadas com o crime organizado, incluindo com eventual influência do poder executivo regional.
Na decisão, o juiz afirma que Bacellar "tinha conhecimento prévio da operação policial, comunicou-se com Thiego --- o principal alvo da ação --- e até o aconselhou sobre a retirada de objetos de interesse investigativo".
As investigações indicam que, graças às informações fornecidas pelo presidente do legislativo regional, "TH Joias" conseguiu apagar dados do telemóvel e desfazer-se de objetos da sua residência antes da operação policial, realizada em 03 de setembro de 2025.
Bacellar, que iniciou a carreira política em 2018, passou a ser investigado a partir de 2023 pelo Ministério Público regional por suspeitas de enriquecimento ilícito.
Bacellar, cuja defesa nega as acusações, é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que queria que o deputado lhe sucedesse no cargo.