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Polícia intervém contra novas concentrações de "indignados" em Espanha
Dezenas de milhares de pessoas juntaram-se nas ruas das grandes cidades de Espanha à iniciativa Primavera Global, que ontem congregou “indignados” de cinco dezenas de países, incluindo Portugal. Em Madrid, um ano após a primeira vaga de protestos do movimento 15-M, a Puerta del Sol voltou a ser ocupada por manifestantes em protesto contra a austeridade e a favor da “justiça social”. Uma intervenção policial durante a madrugada pôs fim à concentração, um quadro que se pode repetir este domingo com a esperada continuação das manifestações. Foram detidas pelo menos 18 pessoas e identificadas 200. Há notícia de quatro feridos.
Às 22h00 de sábado mais de dois mil manifestantes associados ao movimento dos “indignados” permaneciam na praça madrilena da Puerta del Sol. À meia-noite, um “grito mudo” de um minuto unia todos contra as políticas de cortes prosseguidas pelo Governo conservador de Mariano Rajoy.
A intervenção da Polícia Nacional precipitar-se-ia pouco antes das 5h00 (4h00 em Lisboa). O prazo imposto pelas autoridades para o fim da concentração esgotara-se há mais de sete horas. Em apenas dez minutos, segundo a edição online do jornal espanhol El Mundo, a ocupação estava terminada. Uma hora depois, todas as vias de acesso à Puerta del Sol estavam encerrados e o dispositivo policial abrangia a emblemática Gran Vía. O trânsito só seria reposto pelas 7h30.
Além de terem procedido a 200 identificações, os agentes da Polícia Nacional espanhola detiveram 18 manifestantes que terão resistido à desmobilização forçada. Quatro pessoas ficaram feridas – dois ativistas e dois efetivos das forças de segurança.

Quando a intervenção policial teve início, o número de pessoas concentradas na Puerta del Sol caíra para 500, a maioria jovens. Em torno da estátua equestre de Carlos III, no centro da praça madrilena, haviam sido erguidos, entretanto, toldos e uma tenda de campanha. Agentes do corpo de intervenção formariam um cordão de segurança para conter uma centena de manifestantes que ainda tentaram regressar à praça. “Amanhã voltaremos”, gritaram.
Espanha em protesto
Ações semelhantes foram levadas a cabo em Valência, Cádiz e Palma de Maiorca, onde foram desmobilizados cerca de 200 manifestantes. No primeiro aniversário do movimento 15-M, os protestos da Primavera Global juntaram largas dezenas de milhares de pessoas nas maiores cidades espanholas. Dados do Ministério do Interior referem 30 mil pessoas em Madrid, 22 mil em Barcelona (a polícia catalã aponta para mais de 45 mil), oito mil em Valência, duas mil em Sevilha, outras duas mil em Málaga, cinco mil em Alicante, mil em Córdoba e duas mil em Valladolid.
As manifestações estenderam-se a território basco. Em Bilbao, perto de três mil manifestantes entoaram palavras de ordem como Ekin dezagun (atuemos). Na Plaza Arriaga foi reproduzido um texto em defesa dos serviços públicos em Espanha.
Em Santiago, relata o diário El País, que tem acompanhado as manifestações ao minuto, os elementos do movimento 15-M organizaram uma assembleia popular na Plaza do Obradoiro. Também ali foram ouvidos protestos contra a reforma da legislação do trabalho empreendida pelo Executivo de Rajoy. O mesmo aconteceu em Ourense.

Em declarações citadas pelo mesmo jornal, Cristina Cifuentes, delegada do Governo em Madrid, advertiu que a Polícia Nacional não hesitará em carregar sobre os manifestantes se ocorreram incidentes nas próximas horas: “Se este protesto radical pressupõe agressão a bens ou pessoas, a Polícia terá de intervir e, segundo a legislação vigente, quando no decurso de uma manifestação se produzem atos ilícitos a Polícia estaria legitimada para a dissolver”.
As forças de segurança, acrescentou Cristina Cifuentes, “vão evitar que haja acampamentos porque são atividades ilegais, não se pode acampar no centro da cidade”. O que não impede, ainda segundo a mesma responsável, que “o 15-M possa concentrar-se e celebrar o seu aniversário”.
Primavera Global
A contestação da Primavera Global ecoou ontem em cidades europeias como Frankfurt, Roma, Atenas e Londres - na capital britânica foram detidos 20 manifestantes. Em Lisboa, cerca de mil pessoas fizeram uma marcha de protesto desde a Avenida da Liberdade até ao Parque Eduardo VII. Um grupo de membros do movimento de “indignados” espera permanecer naquele parque da capital até à próxima terça-feira, promovendo debates sobre temas da atualidade.
“Estamos convencidos de que este é um protesto à escala global que poderá trazer novamente para a rua a democracia. Por isso, durante quatro dias, congregamo-nos no Parque Eduardo VII e vamos organizar mais de 50 iniciativas com o objetivo de abrir à sociedade temas como a crise da dívida soberana, o Serviço Nacional de Saúde, os transportes, a água e também o desemprego”, explicava ontem o ativista Paulo Raposo, ouvido pela agência Lusa.

Nos cartazes que ilustraram a marcha de sábado, o Governo de Pedro Passos Coelho foi um alvo preferencial da contestação. “A Passos do abismo” foi uma das frases testemunhadas pela reportagem da Lusa.
Também os Precários Inflexíveis estiveram representados na manifestação de Lisboa. Hugo Evangelista, ativista daquele movimento, falou de “um chamamento global”. E não deixou de criticar a tese, defendida pelo primeiro-ministro, de que o desemprego pode ser visto como “uma oportunidade para mudar de vida”: “Em Portugal temos um Governo que diz que temos de empobrecer. Ontem o primeiro-ministro, Passos Coelho, veio dizer que o desemprego é uma solução. Isso mostra que Passos Coelho e este Governo têm uma forma de ver a realidade completamente desfasada”.
A intervenção da Polícia Nacional precipitar-se-ia pouco antes das 5h00 (4h00 em Lisboa). O prazo imposto pelas autoridades para o fim da concentração esgotara-se há mais de sete horas. Em apenas dez minutos, segundo a edição online do jornal espanhol El Mundo, a ocupação estava terminada. Uma hora depois, todas as vias de acesso à Puerta del Sol estavam encerrados e o dispositivo policial abrangia a emblemática Gran Vía. O trânsito só seria reposto pelas 7h30.
Além de terem procedido a 200 identificações, os agentes da Polícia Nacional espanhola detiveram 18 manifestantes que terão resistido à desmobilização forçada. Quatro pessoas ficaram feridas – dois ativistas e dois efetivos das forças de segurança.
Quando a intervenção policial teve início, o número de pessoas concentradas na Puerta del Sol caíra para 500, a maioria jovens. Em torno da estátua equestre de Carlos III, no centro da praça madrilena, haviam sido erguidos, entretanto, toldos e uma tenda de campanha. Agentes do corpo de intervenção formariam um cordão de segurança para conter uma centena de manifestantes que ainda tentaram regressar à praça. “Amanhã voltaremos”, gritaram.
Espanha em protesto
Ações semelhantes foram levadas a cabo em Valência, Cádiz e Palma de Maiorca, onde foram desmobilizados cerca de 200 manifestantes. No primeiro aniversário do movimento 15-M, os protestos da Primavera Global juntaram largas dezenas de milhares de pessoas nas maiores cidades espanholas. Dados do Ministério do Interior referem 30 mil pessoas em Madrid, 22 mil em Barcelona (a polícia catalã aponta para mais de 45 mil), oito mil em Valência, duas mil em Sevilha, outras duas mil em Málaga, cinco mil em Alicante, mil em Córdoba e duas mil em Valladolid.
As manifestações estenderam-se a território basco. Em Bilbao, perto de três mil manifestantes entoaram palavras de ordem como Ekin dezagun (atuemos). Na Plaza Arriaga foi reproduzido um texto em defesa dos serviços públicos em Espanha.
Em Santiago, relata o diário El País, que tem acompanhado as manifestações ao minuto, os elementos do movimento 15-M organizaram uma assembleia popular na Plaza do Obradoiro. Também ali foram ouvidos protestos contra a reforma da legislação do trabalho empreendida pelo Executivo de Rajoy. O mesmo aconteceu em Ourense.
Em declarações citadas pelo mesmo jornal, Cristina Cifuentes, delegada do Governo em Madrid, advertiu que a Polícia Nacional não hesitará em carregar sobre os manifestantes se ocorreram incidentes nas próximas horas: “Se este protesto radical pressupõe agressão a bens ou pessoas, a Polícia terá de intervir e, segundo a legislação vigente, quando no decurso de uma manifestação se produzem atos ilícitos a Polícia estaria legitimada para a dissolver”.
As forças de segurança, acrescentou Cristina Cifuentes, “vão evitar que haja acampamentos porque são atividades ilegais, não se pode acampar no centro da cidade”. O que não impede, ainda segundo a mesma responsável, que “o 15-M possa concentrar-se e celebrar o seu aniversário”.
Primavera Global
A contestação da Primavera Global ecoou ontem em cidades europeias como Frankfurt, Roma, Atenas e Londres - na capital britânica foram detidos 20 manifestantes. Em Lisboa, cerca de mil pessoas fizeram uma marcha de protesto desde a Avenida da Liberdade até ao Parque Eduardo VII. Um grupo de membros do movimento de “indignados” espera permanecer naquele parque da capital até à próxima terça-feira, promovendo debates sobre temas da atualidade.
“Estamos convencidos de que este é um protesto à escala global que poderá trazer novamente para a rua a democracia. Por isso, durante quatro dias, congregamo-nos no Parque Eduardo VII e vamos organizar mais de 50 iniciativas com o objetivo de abrir à sociedade temas como a crise da dívida soberana, o Serviço Nacional de Saúde, os transportes, a água e também o desemprego”, explicava ontem o ativista Paulo Raposo, ouvido pela agência Lusa.
Nos cartazes que ilustraram a marcha de sábado, o Governo de Pedro Passos Coelho foi um alvo preferencial da contestação. “A Passos do abismo” foi uma das frases testemunhadas pela reportagem da Lusa.
Também os Precários Inflexíveis estiveram representados na manifestação de Lisboa. Hugo Evangelista, ativista daquele movimento, falou de “um chamamento global”. E não deixou de criticar a tese, defendida pelo primeiro-ministro, de que o desemprego pode ser visto como “uma oportunidade para mudar de vida”: “Em Portugal temos um Governo que diz que temos de empobrecer. Ontem o primeiro-ministro, Passos Coelho, veio dizer que o desemprego é uma solução. Isso mostra que Passos Coelho e este Governo têm uma forma de ver a realidade completamente desfasada”.