Polícia israelita detém três colonos por "violência extremista" contra palestinianos
A Polícia de Israel deteve hoje mais três colonos israelitas sob suspeita de terem participado em "atos de violência extremista" contra comunidades palestinianas nas proximidades de Hebron, sul da Cisjordânia.
"Na sequência de vários incidentes graves de incêndios provocados e agressões ocorridas nas colinas a sul de Hebron, agentes da polícia dessa área colaboraram com soldados da Guarda de Fronteira da Judeia e Samaria [como é designada a Cisjordânia em Israel] e com o Shin Bet [agência de inteligência interna israelita] para deter mais suspeitos", afirma-se num comunicado da polícia.
O texto não menciona que os ataques são dirigidos contra as comunidades palestinianas locais, nas quais os colonos israelitas praticam, praticamente todos os dias, diversos métodos de assédio: desde agressões físicas até incêndios de propriedades e culturas ou roubo de gado, escreveu a agência de notícias EFE.
Os detidos têm entre 15 e 20 anos, especifica a Polícia, e são originários do centro do país e de colonatos na Cisjordânia.
Além disso, o comunicado policial informou sobre a prorrogação da detenção de outros sete colonos detidos na terça-feira em relação aos mesmos crimes em Hebron. Um oitavo detido foi libertado sob "condições restritivas", de acordo com a nota.
"Estão a ser utilizadas diversas tecnologias para revelar a identidade, deter e levar à justiça qualquer pessoa envolvida em incidentes de violência ou que cause danos", afirma a polícia, no final do texto.
Um total de 93,6% das investigações a colonos por violência contra palestinianos na Cisjordânia terminaram sem acusação, de acordo com um estudo da organização não-governamental israelita Yesh Din. Apenas 3% das investigações policiais conduziram a condenações totais ou parciais desde 2005.
As detenções ocorrem pouco depois de o Ministério da Defesa israelita ter ordenado ao exército que transferisse as competências para deter colonos para a polícia, subordinada ao ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir (extrema-direita), embora a medida ainda não tenha entrado em vigor.
Na prática, as forças armadas já delegavam esta tarefa à polícia, mas a ação dos agentes era muito limitada.