Polícia israelita invade mesquita de Al-Aqsa na antecâmara do "Dia de Jerusalém"

A mesquita Al-Aqsa, terceiro local mais sagrado para o Islão, e a Esplanada das Mesquitas têm sido palco de violência nos últimos três dias, com várias centenas de palestinianos e dezenas de polícias israelitas feridos. Os confrontos antecedem o "Dia de Jerusalém", uma celebração anual em que nacionalistas israelitas comemoram a ocupação e anexação de Jerusalém Oriental, o que faz temer novos confrontos ao longo do dia.

Andreia Martins - RTP /
Abir Sultan - EPA

Este é um dos mais graves episódios de violência entre palestinianos e autoridades israelitas nos últimos anos. Ao fim de três dias de violência e confrontos com manifestantes palestinianos, a polícia israelita invadiu esta segunda-feira o complexo da mesquita Al-Aqsa e recorreu a balas de borracha e gás lacrimogéneo em resposta às pedras arremessadas por manifestantes contra as autoridades.

De acordo com o Crescente Vermelho da Palestina há registo de “centenas de feridos” e pelo menos 50 pessoas foram hospitalizadas.

Os confrontos intensificaram-se na sexta-feira, a última do mês de jejum do Ramadão, mas o protesto por parte dos palestinianos começou devido à possibilidade de várias famílias palestinianas virem a ser despejadas das suas casas no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

No domingo, o Supremo Tribunal de Israel decidiu adiar uma audiência que estava marcada para esta segunda-feira e que iria decidir o destino de quatro famílias palestinianas, ameaçadas de despejo pelos colonos israelitas.

O adiamento aconteceu na sequência de um pedido apresentado pelo procurador-geral, Avijai Mandelblit, e estabelece que a audiência deverá realizar-se em nova data “dentro de um período de cerca de 30 dias”.

A expulsão destas famílias foi solicitada por organizações de colonos judeus, que reivindicam a propriedade das casas desde antes de 1948.

Os últimos confrontos ocorrem também quando se iniciam as celebrações do “Dia de Jerusalém”, um feriado nacional que se assinala esta segunda-feira e em que os israelitas comemoram o aniversário da captura da cidade, em 1967. O dia é habitualmente marcado por uma marcha nacionalista que percorre a Cidade Velha.

Em comunicado, a polícia israelita garante que está a trabalhar para conter a violência e que não irá permitir que os “extremistas ameacem a segurança do público”.

Em paralelo com estes confrontos, o Exército israelita atacou alvos do Hamas na Faixa de Gaza, isto depois do lançamento de projéteis contra Israel a partir deste enclave.

No domingo, ainda antes dos mais recentes confrontos, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu garantia que não iria permitir protestos violentos em Jerusalém.

"Vamos aplicar a lei e a ordem com firmeza, mas com responsabilidade. Continuamos a salvaguardar a liberdade de culto para todas as religiões, mas não vamos permitir protestos violentos", afirmou o chefe de Governo.

Nos últimos dias, vários países do Médio Oriente reagiram aos confrontos, desde logo a Jordânia, que é reconhecida como guardiã dos locais sagrados, islâmicos e cristãos, de Jerusalém Oriental desde o acordo de paz assinado pelos dois países em 1993.

O Rei Abdallah II da Jordânia condenou no domingo “as violações israelitas e as práticas que levam à escalada de tensão em redor da mesquita Al-Aqsa”. Denunciou também "as provocações aos habitantes de Jerusalém que vão contra o direito internacional e os direitos humanos" e rejeitou "as tentativas das autoridades israelitas para mudar a situação demográfica em Jerusalém Oriental".

O Rei da Jordânia insta ainda Israel a "acabar com as medidas ilegais para deslocar residentes do bairro de Sheikh Jarrah" em Jerusalém Oriental.

Em comunicado divulgado no domingo, também a Liga Árabe condenou as ações das forças de segurança israelitas, alertando que estas ações provocam “sentimentos nos muçulmanos de todo o mundo” e que podem causar “uma explosão” nos territórios ocupados.

O secretário-geral da organização, Ahmed Abulgueit, salienta que as ações das “forças de ocupação” durante o mês sagrado para os muçulmanos refletem “uma intenção deliberada de provocação contra os palestinianos” e que o Governo israelita está “cativo dos colonos e da sua agenda extremista”.

Com a escalada de violência, o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje para discutir os recentes desenvolvimentos.
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