Polícia militar venezuelana subtrai computadores a organismo opositor

Efectivos da Guarda Nacional e do Exército venezuelano apreenderam, quinta-feira, equipamento informático diverso e dados dos escritórios que compartilham o Comando Nacional da Resistência (CNR) e o partido político Aliança Bravo Povo (ABP), opositores ao regime do presidente Hugo Chávez.

Agência LUSA /

O equipamento foi apreendido durante uma rusga feita por guardas nacionais, acompanhados pelo procurador militar, tenente Jesus Navas, depois de, horas antes, efectivos da Direcção de Inteligência Militar (DIM) tentarem, sem sucesso, efectuar a mesma operação, porque faltava um representante da procuradoria militar.

Pelas 17:45 horas locais (21:45 em Lisboa) os acessos ao edifício empresarial EXA (onde funcionam os escritórios das duas organizações opositoras), estavam bloqueados por mais de duas dezenas de militares. Nas proximidades, era visível um camião do Exército venezuelano.

Em declarações ao canal televisivo de notícias, Globovisión, Óscar Pérez, membro do CNR, responsabilizou o ministro da Defesa, general Raul Isaías Baduel por "qualquer irregularidade que viesse a ocorrer" devido à grande quantidade "de homens com armas pesadas, veículos da Guarda Nacional e do Exército que se apoderaram" do local.

"Definitivamente aqui (Venezuela), estamos a entrar na recta final da instauração definitiva de um regime totalitário", enfatizou.

Por outro lado, explicou que os militares procuram armas de fogo, explosivos, planos de instalações militares e de dependências do Estado que poderiam ser usadas em planos para atentar contra a segurança do Estado.

Vários dirigentes opositores condenaram a rusga que atribuem a uma "tentativa de intimidação" por parte do governo de Hugo Chávez e coincidiu precisamente com o dia em que foi convocado um +caecerolazo+ (toque de tachos) em defesa da RCTV, canal de televisão mais antigo do país e da liberdade de expressão.

Em Dezembro de 2006, durante a saudação de fim de ano na Academia Militar, o presidente Hugo Chávez instou os proprietários da RCTV (Rádio Caracas Televisão), canal de televisão opositor ao governo, a prepararem as malas e a desligaram os equipamentos porque a concessão, que expira em Maio, não seria renovada.

O anúncio provocou "preocupação" em diversos organismos, entre eles a Sociedade Inter-americana de Imprensa, Repórteres Sem Fronteiras, Comissão para a Protecção dos Jornalistas, a Organização de Estados Americanos e a Conferência Episcopal Venezuelana.

A RCTV foi fundada em 1953 e além de noticiários produz programas de opinião, variedades, concursos e telenovelas. Responsáveis do canal argumentam que, em 2001, a concessão foi renovada até 2012 enquanto o governo diz que a licença caduca em Maio de 2007.

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