Polícia moçambicana aponta excesso de velocidade em acidente com sete mortos em Manica
As autoridades policiais apontaram hoje o excesso de velocidade e a falta de sinalização de um camião avariado como causas de um acidente que matou sete pessoas e feriu outras 10 na província de Manica, centro de Moçambique.
O acidente ocorreu por volta das 21:00 (20:00 em Lisboa) de sexta-feira, na Estrada Nacional N6 (EN6), no posto administrativo de Messica, distrito de Manica, envolvendo um veículo pesado de passageiros e um camião de mercadorias, disse à Lusa o chefe do Departamento de Relações Públicas da PRM em Manica, Mouzinho Manasse.
"Este pesado articulado de carga encontrava-se parqueado, sem nenhuma sinalização. O transporte público de passageiros acabou batendo na parte traseira", afirmou Mouzinho Manasse.
Segundo o responsável, sete pessoas morreram no acidente, enquanto sete ficaram gravemente feridas e três sofreram ferimentos ligeiros.
Inicialmente, as autoridades locais deram conta de nove mortes, número entretanto corrigido para sete.
"São causas do acidente o excesso de velocidade e a falta de sinalização por outro veículo", acrescentou.
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (Inatro), num comunicado divulgado hoje sobre o acidente, refere que o veículo pesado de passageiros seguia do distrito de Manica para Messica, com destino à cidade de Chimoio, quando embateu num camião Sinotruk que se encontrava parcialmente estacionado na faixa de rodagem.
"Chegado ao local do sinistro, deparou-se com o camião Sinotruk, estacionado parcialmente na faixa de rodagem, tendo embatido violentamente pela parte frontal esquerda, contra a parte traseira direita do camião imobilizado", detalha o Inatro.
A instituição refere ainda que, no mesmo dia, outro acidente rodoviário, na província de Maputo, sul de Moçambique, provocou duas mortes, incluindo a do condutor, cinco feridos graves e 16 ligeiros, além de danos materiais avultados.
O segundo acidente envolveu igualmente um veículo pesado de passageiros, que circulava na Estrada Nacional N1, no sentido da vila de Marracuene para a portagem de Cumbeza, no distrito de Marracuene.
De acordo com o Inatro, o veículo "despistou-se para o lado direito, galgando o separador físico central, indo embater contra um obstáculo fixo (proteção de poste de iluminação pública)".
"Posteriormente, resvalou na faixa de rodagem correspondente ao seu sentido de marcha, acabando por capotar", acrescenta a instituição, que aponta também o excesso de velocidade como causa do acidente.
Enquanto decorrem os trabalhos de peritagem para determinar as causas dos dois sinistros, as autoridades apelam a uma condução "prudente" e sublinham a necessidade de desobstruir as vias públicas ou assegurar a devida sinalização em caso de avaria de veículos, de modo a prevenir acidentes.
A sinistralidade rodoviária continua a ser uma das principais causas de morte em Moçambique. Dados oficiais indicam que o país registou 611 acidentes de viação em 2025, que provocaram 830 mortos, levando o Governo a avançar com a revisão do Código da Estrada.
Em junho, o Governo moçambicano aprovou, em Conselho de Ministros, uma autorização para a revisão do Código da Estrada, que prevê a introdução da carta de condução por pontos e o recurso a câmaras de videovigilância para fiscalização rodoviária.
A revisão prevê ainda o reforço dos mecanismos de fiscalização e controlo das contravenções rodoviárias e a harmonização das normas do Código da Estrada com as normas penais nacionais.