Polícia moçambicana detém dois suspeitos de envolvimento em mais de 15 raptos

Polícia moçambicana detém dois suspeitos de envolvimento em mais de 15 raptos

O serviço de investigação criminal moçambicano deteve dois homens com "enorme histórico" e antecedentes na prática de mais de 15 raptos, disse hoje o porta-voz do Sernic, considerando ser um "ganho significativo" para estancar o crime.

Lusa /

"Para a captura dos fugitivos foram realizadas diligências operativas pelo Sernic, que culminaram com a captura de dois indivíduos com enorme histórico e antecedentes na prática de mais de 15 raptos e roubos agravados com recurso a arma de fogo", disse Hilário Lole, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), em conferência de imprensa, em Maputo.

Os suspeitos tentaram raptar um empresário na província de Maputo, sul de Moçambique, em 12 de fevereiro, ação frustrada pela polícia e que causou a morte de pelo menos três pessoas, entre as quais dois integrantes do grupo de raptores, e uma adolescente, numa troca de tiros. Na altura, os dois homens, agora detidos, conseguiram fugir.

Segundo Hilário Lole, um dos suspeitos, apontado como chefe de operações de mais de 15 raptos e assaltos nas cidades de Maputo e Matola, foi detido na madrugada de sexta-feira, quando recebia tratamento médico numa clínica da capital moçambicana.

 "Fazia parte dos procurados pela justiça moçambicana e também tínhamos mandados de captura contra ele (...). O mesmo confessou ser o líder de um vasto grupo de operativos de rapto e que nesta operação, que foi inviabilizada pelo Sernic, o grupo era composto por 10 membros, dois da República sul-africana", disse o porta-voz.

O segundo detido, também capturado na sexta-feira, é tido como "um dos perigosos cadastrados" e que, além dos raptos, ter-se-á envolvido num assalto a uma viatura de transporte de dinheiro, em 2024, em Maputo.

"[O] resultado operativo que aqui apresentamos representa um ganho significado para o país nos esforços tendentes a estancar os crimes de raptos e, por isso, reafirmamos que o Sernic, em colaboração total e completa com as Forças de Defesa e Segurança, continuará firme, a trabalhar afincadamente", referiu Lole.

Em 13 de novembro, a primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, disse que nove dos 10 casos de raptos registados em 2025 foram esclarecidos e as vítimas resgatadas, apontando "relativas melhorias" na segurança, apesar de "resquícios de violência".

Cerca de 300 pessoas envolvidas em casos de rapto foram detidas desde os primeiros registos destes crimes em Moçambique, em 2010, disse à Lusa, em 23 de outubro, o porta-voz do Sernic, explicando que esta estatística representa apenas um número aproximado.

Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio, segundo números divulgados em 2024 pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

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