Polícia moçambicana detém três suspeitos de prepararem rapto em Maputo
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) moçambicano anunciou hoje a detenção de três suspeitos de prepararem um rapto em Maputo, apreendendo uma arma de fogo, uma viatura e um imóvel destinado a manter a vítima em cativeiro.
"Esta detenção resulta do monitoramento e segmento operativo de potenciais delitivos que vêm sendo procurados a nível do Sernic com vista à prevenção e combate ao crime de rapto", disse hoje em conferência de imprensa a chefe das Relações Públicas do Sernic na província de Maputo, sul de Moçambique.
Segundo Sheila Manjate, a operação, que resultou na detenção de três cidadãos nacionais, é também fruto de ações de monitorização de suspeitos associados ao crime de rapto, permitindo ao Sernic identificar um imóvel arrendado para funcionar como cativeiro, uma viatura destinada ao apoio logístico e uma pistola encontrada na posse de um dos detidos.
As investigações indicam que a viatura e o imóvel utilizados na preparação da alegada ação criminosa foram adquiridos com cerca de 300 mil meticais (quatro mil euros) entregues por outro membro do grupo, atualmente em fuga, apontado como responsável pelo financiamento da logística do rapto.
"O [cidadão] que entregou o dinheiro é um dos integrantes do grupo criminoso que entrega o dinheiro para se organizar a logística do crime", explicou a responsável.
A porta-voz acrescentou que parte dos detidos possui antecedentes criminais e está ligada a processos relacionados com crimes da mesma natureza, acrescentando que um dos suspeitos já cumpriu uma pena superior a 16 anos de prisão.
"Alguns já cumpriram pena em processos da mesma natureza e noutros tipos de crime", afirmou, sem, contudo, revelar a identidade do alegado alvo do rapto por "razões ligadas à investigação e à proteção da potencial vítima".
Os três suspeitos permanecem sob custódia policial e deverão ser presentes ao juiz de instrução criminal para aplicação das medidas de coação, enquanto prosseguem diligências para localizar outros alegados membros do grupo, incluindo o suspeito apontado como financiador da operação.
A detenção ocorre numa altura em que as autoridades moçambicanas procuram consolidar o combate aos raptos. Em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que o país não registava casos conhecidos de rapto há cerca de nove meses, atribuindo essa evolução ao reforço das ações de prevenção e investigação.
Desde outubro do ano passado, quando um empresário português foi raptado em Maputo e posteriormente libertado, não são conhecidos publicamente novos casos deste tipo de crime. Segundo dados anteriormente divulgados, os raptos fizeram 15 vítimas em 2024 e 10 em 2025, sobretudo empresários.