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Polícia que matou George Floyd será julgado sozinho
Derek Chauvin, o polícia de Minneapolis que matou George Floyd vai ser julgado em momentos diferentes dos outros três polícias envolvidos no assassinato do afro-americano. A decisão do tribunal deve-se às restrições impostas devido à pandemia da Covid-19.
O Tribunal Distrital do condado de Hennepin, no Minnesota, decidiu que Derek Chauvin vai ser julgado sozinho a 8 de março devido à pandemia, enquanto os outros três polícias serão julgados juntos só no verão.
Alegando "limitações físicas" do maior tribunal do condado em Minneapolis, o juíz Peter Cahill considerou que seria "impossível cumprir as restrições físicas da Covid-19 num julgamento conjunto envolvendo os quatro réus a partir de 8 de março", uma vez que a presença de cada um dos arguidos requer também a presença dos respetivos advogados, seguranças e assistência.
Na semana passada, os promotores tinham pedido ao juíz que adiasse o julgamento de 8 de março para 7 de junho, para reduzir os riscos de contaminação da Covid-19. Segundo o Guardian, o juiz declarou esta terça-feira que embora a situação da pandemia possa melhorar muito até junho, "o tribunal não está tão otimista com as notícias".
Entretanto, o procurador-geral Keith Ellison disse que os quatro polícias acusados deviam enfrentar as acusações no mesmo julgamento.
"Nós respeitosamente discordamos da decisão do tribunal de separar três dos réus do outro e da sua decisão sobre o momento dos julgamentos", disse Ellison num comunicado, citado pela CNN. "Como argumentamos há vários meses, e como o juiz concordou na sua decisão de novembro, acreditamos que todos os quatro réus deviam ser julgados em conjunto".
Entretanto, o procurador-geral Keith Ellison disse que os quatro polícias acusados deviam enfrentar as acusações no mesmo julgamento.
"Nós respeitosamente discordamos da decisão do tribunal de separar três dos réus do outro e da sua decisão sobre o momento dos julgamentos", disse Ellison num comunicado, citado pela CNN. "Como argumentamos há vários meses, e como o juiz concordou na sua decisão de novembro, acreditamos que todos os quatro réus deviam ser julgados em conjunto".
De acordo com Ellison, "as provas contra cada réu são semelhantes" e realizar mais de um julgamento poderia "retraumatizar testemunhas oculares e familiares".
Contudo, Peter Cahill explicou que o juíz Toddrick Barnette pediu, após a audiência da semana passada, para reconsiderar o julgamento de todos os réus em março devido a questões de espaço. Barnette, segundo justificou Cahill, considera que o tribunal pode apenas receber até três réus de uma vez.
Até agora, o advogado de Derek Chauvin, Eric Nelson, não quis comentar a decisão.
Esta decisão surge depois de, em novembro, o juíz Peter Cahill ter anunciado que os quatro acusado deviam ir a julgamento ao mesmo tempo. Na altura, justificou que um único julgamento para os quatro polícias garantia que os jurados tinham em conta "todas as provas e o quadro completo da morte de Floyd".
"E permitiria que esta comunidade, este Estado e a nação absorvessem os veredictos dos quatro réus de uma vez", escreveu Cahill nessa decisão.
"E permitiria que esta comunidade, este Estado e a nação absorvessem os veredictos dos quatro réus de uma vez", escreveu Cahill nessa decisão.
Recorde-se que Derek Chauvin é acusado pelo homicídio de George Floyd, a 25 de maio de 2020. O polícia é visto em imagens de video que circularam por todo o mundo a pressionar o joelho no pescoço do afro-americano, detido e deitado no chão, enquanto este dizia que não conseguia respirar.
Os também polícias Tou Thao, J. Alexander Kueng e Thomas Lane são acusados de ajudar e encorajar o homicídio de segundo grau, assim como auxiliar e proteger Derek Chauvin. Thao, Kueng e Lane devem ser julgados juntos a partir de 23 de agosto.
Os quatro polícias foram demitidos e aguardam todos julgamento.
Os quatro polícias foram demitidos e aguardam todos julgamento.