Polícia separa defensores e opositores de regime em Madrid
A polícia espanhola separou hoje dois grupos, um de defensores e outro de opositores do regime cubano, que trocaram insultos quando se manifestavam junto à embaixada de Cuba em Madrid depois da notícia da morte de Fidel Castro.
Os defensores do regime cubano, formado por algumas dezenas de pessoas, na sua grande maioria de espanhóis pertencentes a organizações de extrema-esquerda, foram os primeiros a chegar em frente da embaixada em resposta a apelos feitos nas redes sociais.
Os anticastristas estavam num pequeno grupo de "pouco mais do que uma dezena de pessoas", segundo a polícia, maioritariamente cubanos que fugiram do regime que Governa Cuba desde finais dos anos 50 do século passado.
"Viva Cuba, viva Fidel", "Cuba Vencerá" e Viva Cuba socialista" eram algumas das palavras de ordem que se podiam ouvir no final da manhã junto à embaixada, que tinha a bandeira cubana a meia haste, depois do grupo de opositores do regime cubano se ter retirado do local.
"Viemos aqui porque respeitamos Fidel Castro, um homem que fez muito pelo seu povo", disse Marisa Flores à agência Lusa, acrescentando que "o líder cubano faleceu num momento crítico, depois da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos".
Os manifestantes empunhavam várias bandeiras de Cuba e de organizações espanholas de extrema-esquerda e permaneceram no local durante várias horas, apesar da chuva que caía.
"Respeito e solidariedade pelo camarada Fidel. É por isso que estou aqui", disse Manuel Segura que estava em casa quando recebeu uma mensagem de um amigo a incentivá-lo a ir até à embaixada.
A Espanha foi a "potência colonizadora" de Cuba e exerceu o seu domínio na ilha desde o século XV até à guerra entre Espanha e os Estados Unidos de 1898.
Fidel Castro morreu na noite de sexta-feira e o seu corpo vai ser cremado hoje em conformidade com sua a vontade, segundo anunciou o seu irmão e Presidente cubano, Raúl Castro.
Fidel Castro tinha 90 anos e esteve no poder em Cuba durante quase meio século, entre 1959 e 2006, quando se afastou por motivos de saúde.
Foram poucos as aparições públicas durante a última década, mas ainda assim foi sempre um anfitrião de Presidentes e de outras personalidades que visitam Cuba.
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