Polícias armados invadem casas de opositores de Putin

Na véspera de uma marcha de protesto em Moscovo contra o Governo de Vladimir Putin, a polícia russa efetuou buscas nas casas de alguns líderes da oposição. Os alvos da operação, segundo um comunicado do Departamento de Investigação Federal, foram os organizadores de uma manifestação semelhante à que está prevista para amanhã, que teve lugar a 6 de maio. Um dos suspeitos acabou detido pela polícia.

Ana Sanlez, RTP /
Polícias armados à porta da casa de Alexei Navalny Maxim Shipenkov/ EPA

No mesmo comunicado, a polícia revela que a investigação incide “sobre a violência cometida contra as autoridades pelos participantes nos motins” de maio e que pretende conduzir no total, durante o dia de hoje, buscas a dez residências. Entre os nomes citados estão o líder da oposição Sergei Udaltsov, a apresentadora de televisão Ksenia Sobchak e o ex-deputado Boris Nemtsov e o blogger anticorrupção Alexei Navalny.

Navalny usou a rede social Twitter para descrever o cenário. “Estão a fazer buscas na minha casa. Praticamente arrombaram a porta. Retiraram tudo o que é electrónico. Até discos com fotografias das crianças”, escreveu, acompanhando o relato com imagens das buscas. A advogada daquele que é um dos rostos da luta contra Putin na Rússia e que acusa o presidente de fraude eleitoral, foi impedida de aceder ao apartamento. Mais tarde, revelou à Rádio Echo de Moscovo que eram “cerca de 15” os polícias armados que irromperam pela casa de Navalny com um mandato de busca.

A ação já motivou protestos por parte de outros opositores do regime de Putin, como Sergei Mitrokhin, líder do partido da oposição Yabloko. “Putin já nem sequer tenta imitar uma democracia”, declarou a uma rádio russa.

Segundo a agência Interfax, que cita o porta-voz do Departamento de Investigação Federal, os alvos das buscas vão ser chamados a depor amanhã, uma forma encontrada pelo Governo para impedir a presença dos opositores na manifestação.

Na sexta-feira, o Presidente reeleito aprovou uma lei que prevê a aplicação de sanções mais pesadas para crimes relacionados com a “violação da ordem pública”. A iniciativa de Putin foi imediatamente condenada pela oposição e pelo Conselho dos Direitos Humanos, que chamaram a atenção para a inconstitucionalidade do diploma.

Os participantes nas manifestações estão agora sujeitos ao pagamento de multas na ordem dos 7400 euros, enquanto os organizadores arriscam-se a desembolsar um milhão de rublos, cerca de 24 300 euros. Putin garante que a lei foi redigida de acordo com as normas da União Europeia.
70 mil polícias nas ruas
A “Marcha dos Milhões”, como ficou conhecida entre os críticos de Putin e Medvedev, aconteceu na véspera da troca de cadeiras entre o ex-primeiro-ministro, atual presidente, e o ex-presidente, atual primeiro-ministro. O protesto contou com cerca de 20 mil manifestantes nas ruas, centenas dos quais acabaram detidos, depois de entrarem em conflito com a polícia. Navalny e Udaltsov estiveram presos durante 15 dias na sequência do protesto. Já ontem foram detidas mais cinco pessoas no âmbito da mesma investigação.

A manifestação de amanhã insere-se nas comemorações do Dia da Rússia, um feriado nacional que marca a desagregação da União Soviética. O Ministério russo do Interior já mobilizou cerca de 70 mil polícias e mais nove mil soldados, que vão patrulhar as ruas do país, onde são esperadas mais de um milhão de pessoas e cerca de 1550 eventos “políticos e culturais”, informou o Governo russo.

“Participantes que usem máscaras serão imediatamente detidos pela polícia”, exemplifica ainda o comunicado.
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