Polícias bolivianos ameaçam com "roleta russa"

La Paz, 11 Mar (Lusa) - Vários polícias bolivianos que reclamam um aumento salarial ao Governo de Evo Morales radicalizaram hoje o seu protesto com ameaças de jogar à "roleta russa" e bloquearam algumas ruas da cidade central de Cochabamba.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Se sair a bala, é responsabilidade do Governo. Que solucione o nosso problema já!", instou um dos polícias em declarações às televisões locais, ameaçando imolar-se nas próximas horas jogando à "roleta russa".

"Não somos terroristas. Somos gente humilde que trabalha. Preferimos morrer de um balázio a morrer de fome", acrescentou o agente.

Os polícias pertencem ao batalhão de segurança física privada e exigem um aumento salarial de 25 por cento - o seu salário mensal é de apenas 900 bolivianos (cerca de 120 dólares).

Em duas semanas de conflito, os agentes levaram a cabo várias medidas de pressão para chamar a atenção das autoridades, como entrar em greve de fome com as mulheres e os filhos, e simular crucificações mas sem os pregos.

Apesar de as reivindicações salariais se terem estendido a vários pontos do país como Tarija e Santa Cruz, os protestos mais violentos ocorreram em Cochabamba, onde recentemente os agentes desfilaram armados envolvendo-se em confrontos com um grupo de colegas da unidade anti-motim.

Os manifestantes bloquearam hoje com pneus incendiados uma das principais avenidas de Cochabamba e impediram a saída de autocarros da estação, informaram os media locais.

Depois de uma missa celebrada no edifício onde estão amotinados os agentes que ameaçam imolar-se, a situação aclamou e aguarda-se para as próximas horas a chegada de uma comitiva do Comando Nacional da Polícia para tentar pôr fim ao conflito.

"É fundamental que se solucione o assunto à mesa do diálogo", pediu hoje Alex Contreras, porta-voz do presidente Morales.

Por seu lado, o ministro do Interior, Alfredo Rada, asegurou que os manifestantes já tinham obtido alguns benefícios salariais que antes não tinham, sublinhando que a "intransigência de uns quantos ocasionou esta situação conflituosa".

PUB