Polícias ferem por engano dois turistas estrangeiros no Ceará
Sete polícias feriram por engano dois turistas estrangeiros, um espanhol e outro italiano, no Estado do Ceará, região Nordeste do Brasil, afirmou hoje um porta-voz da polícia local.
O major Marcos Costa disse à agência Lusa que os turistas estavam num veículo semelhante a um outro automóvel utilizado por criminosos para assaltar um banco, na capital, Fortaleza, quinta-feira à noite.
"Os polícias acharam que o veículo dos turistas fosse o dos bandidos. Os turistas não perceberam a abordagem policial e arrancaram o veículo, num semáforo, quando então os polícias disparam diversas vezes", disse.
Um dos disparos atingiu o ombro e a medula do turista espanhol Marcelino Ruiz Pompeu, que ficará paraplégico, segundo o doutor Jonas Araújo, responsável pelo atendimento de emergência do Hospital Instituto José Frota.
O turista italiano Inocenzo Brancati e a sua mulher, a brasileira Denise Brancati, também foram atingidos pelos disparos, mas foram socorridos e "passam bem", segundo o porta-voz da polícia.
A noiva do turista espanhol, que também estava no veículo, atingido por mais de 25 disparos, não foi ferida, mas está em estado de choque, avançou a mesma fonte.
O acidente decorreu momentos depois de o casal espanhol ter desembarcado no aeroporto internacional de Fortaleza, onde estavam sendo aguardados pelo turista italiano, que há anos mora no Brasil, e por sua esposa.
O major Marcos Costa avançou igualmente que os sete polícias envolvidos na acção desastrada entregaram as suas armas para uma perícia e foram afastados das actividades de rotina.
"Já iniciámos uma investigação. Caso sejam responsabilizados, poderão ser afastados da Polícia do Ceará e responder em processo criminal por tentativa de assassínio", disse.
O porta-voz sublinhou ainda que, por causa do erro, o comando da Polícia do Ceará já se reuniu para planear um treino de abordagens policiais mais seguras, como forma de evitar a repetição do engano.
Em declarações à imprensa local, Denise Brancati, que teve ferimentos nos joelhos, disse que não percebeu que o veículo do marido era o alvo dos polícias.
"Vimos uma intensa movimentação de polícias e, quando os disparos começaram, pensamos que era fogo cruzado. Não sabíamos que os tiros eram para nós", disse.
Denise Brancati afirmou também que os polícias só pararam de atirar quando ouviram os seus gritos de "pára, pelo amor de Deus, aqui nesse carro não tem nenhum assassino".