Última Hora
Incêndio em bar na Suíça. Autoridades confirmam portuguesa ferida e outra desaparecida

Política de três filhos confirmada com nova lei chinesa

As leis de planeamento familiar para controlo populacional encolheram o número de nascimentos e os últimos censos demonstram-no. Depois de os casais estarem autorizados a terem uma ou duas crianças, o Congresso Nacional do Povo aprova agora a lei que formaliza a política de três filhos. A China espera ver a população aumentar para fazer face aos custos da mão de obra e envelhecimento.

Carla Quirino - RTP /
Tinghshu wang - Reuters

Em maio passado, o Governo chinês permitiu aos casais terem até três filhos. Mas só esta sexta feira foi aprovada a lei que formaliza a aplicação da nova política de planeamento familiar.

A mudança de estratégia para três filhos é acompanhada de várias resoluções que visam incentivar o aumento da taxa de natalidade e reduzir o custo de criar mais crianças.

A taxa de manutenção social que os pais pagavam, caso ultrapassassem o número legal de filhos, foi cancelada.

Os governos locais passam a oferecer licença parental promovendo os direitos das mulheres no emprego.

Está também previsto o aumento de infraestruturas de apoio ao acolhimento de crianças.


Agência noticiosa chinesa XinhuaNet

Na década de 70 do século passado, a China implementou a política de filho único para desacelerar o crescimento populacional. Quem violasse essa política seria multado ou a mãe obrigada a abortar. Em 2016, o Executivo chinês alterou a via, permitindo duas crianças por casal.

De acordo com um estudo divulgado na BBC, baseado na comparação dos censos entre os anos de implantação das políticas de um e dois filhos, 1979 e 2016, os nascimentos diminuíram para metade.

Entre 2016 e 2020 houve uma queda abrupta na natividade, de 18 milhões de bebés para 12 milhões.

Segundo um relatório divulgado pelo canal China Insights, o intervalo dos anos férteis para procriação das mulheres entre as idades de 20 e 34 anos na China "está a diminuir substancialmente a cada ano". Este fenómeno atingiu cerca de 17 milhões de mulheres entre 2016 e 2020 e é apontado como "principal causa da atual crise de fertilidade da China", de acordo com o mesmo documento.

As  baixas taxas de natalidade também são preocupantes para o futuro económico da China. "A mão-de-obra está a encolher e a população vai envelhecendo, ameaçando a estratégia industrial que a China tem usado há décadas para sair da pobreza e tornar-se uma potência económica", escreve Sui-Lee Wee , correspondente do New York Times na China.

O Governo chinês está a apostar fortemente nos meios de comunicação social do país para que a mensagem da política dos três filhos seja bem sucedida.

O jornal People's Daily, a emissora CCTV e a agência de notícias Xinhua publicam desde maio imagens de desenhos animados com crianças felizes, publicitando que a "nova política chegou".
PUB