Políticos apreensivos com terrorismo de direita

O futuro dos colonatos judeus na faixa ocidental, ou Cisjordânia, está a abrir uma polémica em Israel com os políticos a exigir a condenação e prevenção efetiva das desordens causadas pela extrema-direita e os judeus dos colonatos a exigirem ações contra a esquerda que acusa de colocar a sua segurança em causa.

RTP /
Este judeu olha incrédulo para a porta da mesquita vandalizada pelos extremistas de direita Abir Sultan, EPA

“O governo de Israel deve analisar as ações dos extremistas de direita para perceber se poderão ser legalmente enquadradas no terrorismo”. Quem o afirma é o próprio ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, depois de o ministro da Justiça, Yaakov Ne´eman, ter determinado uma série de medidas de emergência na sequência dos recentes e repetidos ataques às Forças de Defesa de Israel (IDF) perpetrados por ativistas de extrema-direita.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, também se pronunciou sobre o tema condenando vigorosamente as desordens na área de Efraim afirmando que os acontecimentos não podem ser ignorados.

Numa conversa com ativistas do seu partido Yisrael Beiteinu, Lieberman afirmou que essas desordens causavam enormes prejuízos à política de colonatos israelitas em território palestiniano. Para Lieberman nada justifica os atos de violência contra os soldados israelitas e que os desordeiros são más “sementes que devem ser separadas”.

Os responsáveis governamentais reagiam aos recentes acontecimentos que envolveram cerca de 50 colonos e ativistas de extrema-direita entraram numa base militar estratégica situada na Cisjordânia lançando pedras, queimando bandeiras e panos e vandalizando veículos militares.

Numa aparente estratégia concertada na passada quarta-feira ativistas anónimos iluminaram uma mesquita histórica em Jerusalém escrevendo com tinta de spray nas suas paredes frases como “Muhammad está morto” e “Muhammad é um porco”.

Os colonos e extremistas reagem assim a um rumor de que o exército israelita iria avançar para evacuar os colonatos judeus na Cisjordânia de acordo com a decisão de Agosto do Supremo Tribunal de Justiça.

Espera-se em Jerusalém que o ministro da Justiça apresente uma série de medidas legais contra os ativistas de extrema-direita na sequência dos recentes ataques e desordens provocadas por essa ala extremista.

Uma das opções colocadas em cima da mesa é a declaração do movimento extremista de extrema-direita como organização terrorista o que só por si permitiria de imediato prisões e ações preventivas.

“Da forma como se conduzem não há dúvidas de que se trata de um comportamento terrorista”, comentava Ehud Barak aos microfones de uma rádio militar.

“Precisamos de tratar o terrorismo judeu como tratamos os sindicatos do crime no país”, acrescentou.

Militares deveriam ter atirado sobre os desordeiros, diz o antigo ministro da Defesa
O antigo ministro da Defesa Bem-Eliezer vai mais longe e considera mesmo que os militares da base atacada deveriam ter recebido os invasores a tiro de armas de fogo.

Referindo-se aos incidentes, Ben-Eliezer explicava que “um bando de criminosos pegaram em tijolos atiraram-nos às caras dos soldados das Forças de Defesa de Israel e quase mataram um deles. Tenho vergonha de que ninguém tenha sido preso, é uma vergonha que ninguém tenha atirado que ninguém tenha respondido”.

“O que aconteceu ontem foi terrorismo, puro e simples terrorismo” disse o antigo ministro trabalhista, que acrescentou “ eu não distingo entre judeus e árabes quando alguém está a tentar matar-nos.”

Tzipi Livni intransigente para com radicalismos
O líder da oposição e secretário-geral do Partido Kadima também se referiu aos recentes acontecimentos na Cisjordânia e em Jerusalém.

“Isto é uma onde ideológica que pretende instituir um país diferente aqui com uma visão mundial que força a algo que não está relacionado com a tradição judaica de maioria secular”, disse acrescentando que “Isto é uma luta pelo caráter da Nação apoiada pelo silencia do (Primeiro-Ministro Benjamin) Netanyahu”.

Colonatos exigem ações contra desordeiros da esquerda
“É difícil libertar-nos da noção de que muitos deles [a esquerda] não estão na realidade interessados no bem-estar do comando militar de Efrayim e que querem atacar politicamente os colonatos, danificar a sua imagem pública e possivelmente infligir-lhes danos físicos” afirmou Danny Dayan secretário do Conselho Yesha de Colonatos.

“Continuaremos a combater decisivamente a violência indiscriminada mas também a hipocrisia da esquerda que apenas está interessada em destruir tudo o que construímos na Cisjordânia”, acrescentou.

“O Conselho dos Colonos de Samaria exige que Netanyahu assegure que uma nova força de intervenção que está a reunir lidará em primeiro lugar com os desordeiros que semana após semana põem em causa a segurança, pondo em risco os soldados do IDF e oficiais com pedras e coctails molotov e que vandalizam viaturas militares”, lê-se num comunicado do Conselho.

“É inconcebível que o primeiro-ministro aja com total hipocrisia e use as forças à sua disposição para agir com dureza para com judeus frustrados enquanto ignora os violadores da lei que são bem conhecidos das forças de segurança”, conclui o comunicado numa referência clara aos palestinianos que lutam contra os colonatos em território que consideram como sendo seu.
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