Polónia relembra massacre ordenado por ucranianos na II Guerra Mundial

As autoridades da Polónia assinalaram hoje o aniversário do massacre de polacos por nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, considerando que as relações bilaterais entre os dois povos serão fortalecidas com o reconhecimento da tragédia.

Lusa /

Na celebração do Dia da Memória das Vítimas do Genocídio, o presidente polaco, Andrzej Duda, e o primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, disseram que este é o momento certo para condenar o assassínio de milhares de civis polacos por ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, para dar às vítimas a homenagem que merecem.

"Que esta verdade sirva de facto de base para novas relações entre os nossos países e comunidades, que tanto as nossas nações, como os nossos Estados precisam para o futuro, a fim de transformar a fraqueza em força", afirmou Duda.

De acordo com os historiadores, mais de 100 mil polacos, incluindo mulheres e crianças, foram mortos por nacionalistas ucranianos nas regiões na altura pertencentes ao sudeste da Polónia e que agora estão sob o controlo da Ucrânia.

A tragédia que ocorreu entre 1942 e 1945 continua, no entanto, a ser um ponto de discórdia entre as duas nações, tendo sido durante décadas um tema foi reprimido por Moscovo e ainda hoje difícil de debater.

A data de 11 de julho de 1943 assinala o auge do genocídio, conhecido como "Domingo Sangrento", quando os combatentes da Organização dos Nacionalistas Ucranianos atacaram os polacos que rezavam nas igrejas de mais de 100 aldeias, principalmente na região de Volhynia.

Para homenagear as vítimas mortais, a Polónia marcou o dia em 2016 e insiste até hoje que os acontecimentos constituíram um genocídio, como também foram esta segunda-feira descritos nos discursos de Duda e Morawiecki.

A Ucrânia, no entanto, encara a Organização dos Nacionalistas Ucranianos como combatentes da independência, sendo que a identidade ucraniana enquanto Estado soberano foi construída em torno do grupo.

Os dois líderes polacos acrescentaram que a discórdia à volta do tema apenas dividirá os países vizinhos e acabará por servir os interesses de Moscovo.

Entre os aliados mais firmes da Ucrânia na defesa contra a agressão da Rússia, a Polónia já recebeu milhões de refugiados ucranianos desde a invasão russa a 24 de fevereiro e forneceu ao país vizinho apoio político, armas e rotas para exportações, especialmente de cereais.

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