Mundo
Poluição atravessa continentes e percorre milhares de quilómetros
Nos primeiros oito meses, o ano de 2026 fica marcado pela força com que a poluição atravessou continentes. O relatório Atmosphere Watch conclui que "o fumo dos incêndios florestais, o pó do deserto e outras formas de poluição atmosférica nociva para a saúde percorreram, por vezes, milhares de quilómetros."
A força da poluição tem alterado “a qualidade do ar para milhões de pessoas muito para além da fonte original”. Também a exposição global ao fumo dos incêndios florestais “está a aumentar”. A explicação está nos fogos “mais extremos nas proximidades de áreas povoadas, refere o relatório assinado pelo Serviço Copernicus.
O Atmosphere Watch aponta os "megaincêndios" em França, Espanha e Bélgica que “provocaram o transporte intenso de fumo, causando impactos na qualidade do ar a milhares de quilómetros de distância.”
O Atmosphere Watch aponta os "megaincêndios" em França, Espanha e Bélgica que “provocaram o transporte intenso de fumo, causando impactos na qualidade do ar a milhares de quilómetros de distância.”
No caso francês, a 22 de julho, deflagraram grandes incêndios florestais nas regiões francesas de Gironde e Landes. A situação obrigou a “uma das maiores retiradas de população desde a Segunda Guerra Mundial” e os impactos do fumo na qualidade do ar fizeram-se sentir a centenas de quilómetros.
Quase em simultâneo, em Espanha, teve início um grande incêndio na província de Ávila que se juntou a outro em Madrid.
Mais de 50 mil hectares arderam e 56 mil pessoas tiveram que abandonar as suas habitações. Para além de “quase 30.000 pessoas confinadas em ambientes fechados para evitar a exposição ao fumo nocivo.”
Estes dois incêndios em Espanha “registaram, por uma margem expressiva, as maiores emissões de carbono provenientes de incêndios florestais desde, pelo menos, 2003”, sublinha o documento do Copernicus.
Estes dois incêndios em Espanha “registaram, por uma margem expressiva, as maiores emissões de carbono provenientes de incêndios florestais desde, pelo menos, 2003”, sublinha o documento do Copernicus.
Sendo certo que em ambos houve “emissões extremas de partículas finas” prejudiciais para a saúde.
Outro caso analisado foi o incêndio florestal na Bélgica em agosto, na reserva natural High Fens. Teve uma intensidade como não se via há cem anos no país. As colunas de fumo foram tão intensas que “atravessaram a Alemanha, chegando mesmo à Polónia.” Ou seja, mais de mil quilómetros.
O Atmosphere Watch destaca também a longa distância que atravessaram os fumos provenientes de incêndios florestais na América do norte, em 2026. “Algumas destas plumas atravessaram o Atlântico e chegaram a partes da Europa”.
Durante o Mundial de Futebol, em julho, o fumo dos intensos incêndios florestais no Canadá, espalhou-se “em vastas plumas por milhares de quilómetros através do norte da América do Norte em direção ao Atlântico.”
Durante o Mundial de Futebol, em julho, o fumo dos intensos incêndios florestais no Canadá, espalhou-se “em vastas plumas por milhares de quilómetros através do norte da América do Norte em direção ao Atlântico.”
Então, foram emitidos alertas de saúde relacionados “com a qualidade do ar em muitas cidades, incluindo Nova Iorque e Nova Jérsia, poucos dias antes da final do Campeonato do Mundo, a 19 de julho.”
No Sudeste Asiático, os incêndios sazonais contribuíram para a formação de um nevoeiro transfronteiriço generalizado, afetando países como a Tailândia e o Laos.
O início do El Niño, previsto para ser um dos mais fortes dos últimos anos, está já a agravar as condições propícias a incêndios na Indonésia. “É provável que outras regiões, incluindo a Amazónia, enfrentem condições semelhantes no próximo ano”, alerta o Copernicus.
O relatório alerta também para a poeira do Saara que se deslocou “repetidamente muito para além do Norte de África.”
O Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus acompanhou várias situações em que a “poeira e fumo da África Ocidental” viajou para o Atlântico Norte chegando a Cabo Verde e às Canárias”. O resultado foi o nevoeiro e a má qualidade do ar que as populações respiraram. Também foi registada “deslocação de poeira através do Atlântico em direção às Caraíbas.”
De acordo com vários estudos, lembra o relatório Atmosphere Watch, “os impactos do fumo dos incêndios florestais e da poeira podem ter sido negligenciados durante muito tempo. As evidências científicas sobre os efeitos da exposição a partículas finas e ao ozono na saúde pública aumentam de dia para dia."
Um estudo recente estimou que a exposição global às emissões dos incêndios florestais aumentou 40 por cento em 20 anos, apesar da redução da área ardida.
A subida deve-se ao crescimento populacional e ao aumento da intensidade dos incêndios associado às alterações climáticas.