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Pompeo repreende Europa por não apoiar assassínio de Soleimani

Pompeo repreende Europa por não apoiar assassínio de Soleimani

O secretário de Estado norte-americano manifestou-se decepcionado pelo facto de a Europa não ter apoiado o assassínio do general iraniano Qasem Soleimani. Mike Pompeo apontou o dedo à França e à Alemanha mas também, neste caso, ao Reino Unido, tradicional aliado dos EUA.

RTP /
Hannibal Hanschke, Reuters

O chefe do Departamento de Estado, Mike Pompeo, apontou além disso às potências europeias o exemplo de "parceiros regionais" dos EUA no Médio Oriente, o que foi visto como alusão a Israel, à Arábia Saudita e aos Emiratos Árabes Unidos, com quem esteve em contacto depois do assassínio de Soleimani.

Pompeo afirmou, nomeadamente: "Passei o último dia e meio, dois dias, a falar com parceiros regionais, a partilhar com eles o que estamos a fazer, porque o fazemos, e a procurar o seu apoio". E prosseguiu: "Todos eles foram fantásticos. E depois, falando com os nossos parceiros noutros lugares, não foi tão bom".

Concretizando, passou a indicar de que "outros lugares" falava: "Francamente, os europeus não foram tão prestáveis como eu esperava que pudessem ser. Os britânicos, os franceses, os alemães, todos eles têm de entender que aquilo que nós fizemos, o que os americanos fizeram, também salvou vidas na Europa".

Segundo as explicações de Pompeo, “Qassem Suleimani dirigia e a sua Guarda Revolucionária dirigia campanhas de assassínios na Europa. Isto [o assassínio de Soleimani] foi uma boa coisa para o mundo inteiro, e nós instamos toda a gente no mundo a seguir o que os Estados Unidos estão a tentar fazer para conseguir que a República Islâmica do Irão se comporte simplesmente como um país normal".

Especialmente notado, tem sido o silêncio de Boris Johnson, primeiro-ministro da potência europeia mais ligada aos EUA desde sempre, e ele próprio mais ligado ao presidente Donald Trump do que qualquer primeiro-ministro britânico ao inquilino da Casa Branca que lhe fosse contemporâneo.

Johnson estava de férias no Caribe, na ilha de Mustique, quando foi noticiado o assassínio de Soleimani e aí permaneceu, aparentemente insensível à crise mais grave dos últimos três lustros no Médio Oriente. Conta-se hoje, domingo, com o regresso de Johnson, mas para já o seu silêncio foi criticado por Pompeo, como falta de solidariedade com os Estados Unidos, e pela oposição britânica, como sinal, mais uma vez, de subserviência face a Donald Trump, por não querer condenar publicamente o assassínio de um dirigente estrangeiro sem prévia declaração de guerra.

Ed Davey, o dirigente da oposição liberal-democrata, classificou o silêncio de Boris Johnson como "ensurdecedor" e acrescentou: "O primeiro-ministro tem de pronunciar-se agora e deixar claro que a Grã-Bretanha não apoiará os Estados Unidos na repetição dos erros da guerra do Iraque".

Ian Blackford, dirigente nacionalista escocês apelou à calma, mas condenou igualmente o silêncio do primeiro-ministro, acrescentando que este "devia falar sem medo nem favorecimento [de Trump] num momento como este".
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