Mundo
Porto de Calais bloqueado por camiões e cordão humano
Centenas de camiões bloquearam esta manhã a auto-estrada de acesso e o próprio porto do Calais, além do Canal da Mancha, e milhares de pessoas - trabalhadores portuários, residentes de Calais, comerciantes, agricultores - estão a formar um cordão-humano, em protesto contra a falta de medidas de controlo dos imigrantes que pretendem chegar ao Reino Unido.
É o primeiro protesto organizado contra a "Selva", o gigantesco acampamento de migrantes, parcialmente desmantelado em fevereiro pelas forças de segurança francesas mas que voltou a crescer e está agora maior do que nunca, agregando quase 10.000 pessoas.
Os camiões de transporte estão a convergir desde as 06h00 da manhã para Calais, no norte de França, causando enormes engarrafamentos nas auto-estradas. Durante o protesto juntaram-se-lhes agricultores para bloquear em cortejo a A16, a mais usada pelos transportadores europeus para levar carga para Inglaterra via porto de Calais ou Túnel da Mancha.
Milhares de pessoas irão ainda formar uma cadeia-humana junto ao porto, o mais importante de França no tráfego de passageiros, lideradas pela presidente da Câmara de Calais, Natacha Bouchard, empunhando cartazes e vestindo t-shirts com a frase "amo Calais". "Calaisianos aprisionados, migrantes livres!" ou "O Governo deve declarar estado de catástrofe económica em Calais ", dizem os cartazes.
As autoridades, civis e religiosas, deixaram apelos aos migrantes para se manterem hoje no campo de forma a evitar confrontos.
Forçar a paragem por todos os meios
O protesto é provocado pelas táticas violentas usadas nos últimos meses pelos migrantes para forçar a paragem dos camiões, de forma a embarcarem e alcançar a Grã-Bretanha.
Colocam troncos de árvores na auto-estrada A16 e na zona de cargas do porto, para forçar os veículos a parar. Também atiram objetos contra os para-brisas ou forçam acidentes. Assaltam depois os veículos com paus, armas de fogo e facas, ameaçando os motoristas para serem levados para as ilhas britânicas.
Todas as noites dão-se pelo menos 30 barragens de estradas para forçar os camiões a deter-se.
"Esta manifestação é para gritar o nosso descontentamento" face aos "atos de incivilidade dos quais somos vítimas todos os dias", declarou à Agencia France Presse, AFP, David Sagnard, representante local dos transportes de estrada."Hoje, aquilo que exigimos são medidas urgentes para poder rodar com segurança na auto-estrada A16 e sobre a zona portuária", acrescentou.
Frédéric Van Gansbeke, porta-voz da união de empresas e comércios da região,espera "marcar a posição" com esta operação, a primeira desde que a crise migratória transformou Calais num ponto de estrangulamento, recebendo milhares de migrantes num gigantesco campo improvisado, que se transformou numa autêntica cidade, com templos, escolas, comércio, prostituição e até um cemitério, e na qual as forças da ordem não conseguem sequer entrar.
Os próprios habitantes de Calais e de outras vilas das redondezas queixam-se de não poder sequer sair à rua, após ataques e cenas de violência de migrantes, que chegam a entrar sem convite em casa das pessoas, roubando e comendo, mantendo sob ameaça os habitantes dos imóveis.
Van Gansbeke compreende que o Governo francês não avance com uma data concreta para desmantelar "a Selva", como é conhecido o acampamento, para não provocar o pânico no campo, mas "protestamos porque estamos longe de ver satisfeitas as nossas reivindicações".
"Não obtemos resposta, bloqueamos", resume.
"Salário do medo"
Escoltados pela polícia, os camiões têm desfilado em marcha lenta nas auto-estradas, recebendo amiúde buzinadelas de apoio de outros motoristas que circulam nas faixas contrárias.
O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, já prometeu desmantelar a "Selva" o mais rapidamente possível, sem dar uma data. Promessas anteriores apontavam "até final do ano". O desmantelamento do início do ano não resultou e os migrantes voltaram à região em massa.
As autoridades afirmam que eles são agora mais de 6.900 mas as associações e ONG's no terreno referem mais de 9.000, incluindo 900 menores isolados. Eram entre 3.500 e 5.000 em março após o desmantelamento parcial.
Os imigrantes, oriundos do Afeganistão mas também do Iraque e de vários países africanos, pretendem ir para o Reino Unido, que consideram um 'Eldorado'.
Os motoristas que cheguem a terras britânicas com migrantes são multados. Prometem continuar a bloquear Calais se as multas não foram levantadas.
"É o salário do medo. Todas as manhãs perguntamo-nos se a nossa jornada de trabalho não vai ficar estragada, se um migrantes não vai esventrar a parte da frente do camião. E se a mercadoria ficar estragada, é o regresso direto ao ponto de partida", testemunhou à AFP Nicolas Lotin, diretor de uma empresa de transporte em Boulogne-sur-Mer.
Além de desmantelar a "Selva", o Estado francês pretende intensificar as partidas voluntárias e criar até ao fim do ano cerca de 8.000 lugares em diversas estrururas de acolhimento, para "desinchar Calais".
Os camiões de transporte estão a convergir desde as 06h00 da manhã para Calais, no norte de França, causando enormes engarrafamentos nas auto-estradas. Durante o protesto juntaram-se-lhes agricultores para bloquear em cortejo a A16, a mais usada pelos transportadores europeus para levar carga para Inglaterra via porto de Calais ou Túnel da Mancha.
Milhares de pessoas irão ainda formar uma cadeia-humana junto ao porto, o mais importante de França no tráfego de passageiros, lideradas pela presidente da Câmara de Calais, Natacha Bouchard, empunhando cartazes e vestindo t-shirts com a frase "amo Calais". "Calaisianos aprisionados, migrantes livres!" ou "O Governo deve declarar estado de catástrofe económica em Calais ", dizem os cartazes.
As autoridades, civis e religiosas, deixaram apelos aos migrantes para se manterem hoje no campo de forma a evitar confrontos.
Forçar a paragem por todos os meios
O protesto é provocado pelas táticas violentas usadas nos últimos meses pelos migrantes para forçar a paragem dos camiões, de forma a embarcarem e alcançar a Grã-Bretanha.
Colocam troncos de árvores na auto-estrada A16 e na zona de cargas do porto, para forçar os veículos a parar. Também atiram objetos contra os para-brisas ou forçam acidentes. Assaltam depois os veículos com paus, armas de fogo e facas, ameaçando os motoristas para serem levados para as ilhas britânicas.
Todas as noites dão-se pelo menos 30 barragens de estradas para forçar os camiões a deter-se.
"Esta manifestação é para gritar o nosso descontentamento" face aos "atos de incivilidade dos quais somos vítimas todos os dias", declarou à Agencia France Presse, AFP, David Sagnard, representante local dos transportes de estrada."Hoje, aquilo que exigimos são medidas urgentes para poder rodar com segurança na auto-estrada A16 e sobre a zona portuária", acrescentou.
Frédéric Van Gansbeke, porta-voz da união de empresas e comércios da região,espera "marcar a posição" com esta operação, a primeira desde que a crise migratória transformou Calais num ponto de estrangulamento, recebendo milhares de migrantes num gigantesco campo improvisado, que se transformou numa autêntica cidade, com templos, escolas, comércio, prostituição e até um cemitério, e na qual as forças da ordem não conseguem sequer entrar.
Os próprios habitantes de Calais e de outras vilas das redondezas queixam-se de não poder sequer sair à rua, após ataques e cenas de violência de migrantes, que chegam a entrar sem convite em casa das pessoas, roubando e comendo, mantendo sob ameaça os habitantes dos imóveis.
Van Gansbeke compreende que o Governo francês não avance com uma data concreta para desmantelar "a Selva", como é conhecido o acampamento, para não provocar o pânico no campo, mas "protestamos porque estamos longe de ver satisfeitas as nossas reivindicações".
"Não obtemos resposta, bloqueamos", resume.
"Salário do medo"
Escoltados pela polícia, os camiões têm desfilado em marcha lenta nas auto-estradas, recebendo amiúde buzinadelas de apoio de outros motoristas que circulam nas faixas contrárias.
O primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, já prometeu desmantelar a "Selva" o mais rapidamente possível, sem dar uma data. Promessas anteriores apontavam "até final do ano". O desmantelamento do início do ano não resultou e os migrantes voltaram à região em massa.
As autoridades afirmam que eles são agora mais de 6.900 mas as associações e ONG's no terreno referem mais de 9.000, incluindo 900 menores isolados. Eram entre 3.500 e 5.000 em março após o desmantelamento parcial.
Os imigrantes, oriundos do Afeganistão mas também do Iraque e de vários países africanos, pretendem ir para o Reino Unido, que consideram um 'Eldorado'.
Os motoristas que cheguem a terras britânicas com migrantes são multados. Prometem continuar a bloquear Calais se as multas não foram levantadas.
"É o salário do medo. Todas as manhãs perguntamo-nos se a nossa jornada de trabalho não vai ficar estragada, se um migrantes não vai esventrar a parte da frente do camião. E se a mercadoria ficar estragada, é o regresso direto ao ponto de partida", testemunhou à AFP Nicolas Lotin, diretor de uma empresa de transporte em Boulogne-sur-Mer.
Além de desmantelar a "Selva", o Estado francês pretende intensificar as partidas voluntárias e criar até ao fim do ano cerca de 8.000 lugares em diversas estrururas de acolhimento, para "desinchar Calais".