Porto Rico. Número de mortos do furacão Maria passa de 64 para 2.975

O governador do Porto Rico divulgou na terça-feira que um novo balanço indica que o furacão Maria provocou 2.975 mortes, após uma nova investigação. A estimativa da Universidade de Washington é quase 50 vezes superior à do Governo porto-riquenho, divulgada em dezembro de 2017, que indicava que 64 pessoas teriam morrido.

RTP /
Alvin Baez - Reuters

"Estou a dar uma ordem para atualizar o número oficial de mortes para 2.975", disse o governador Ricardo Rossello numa conferência de imprensa na terça-feira, citada pela BBC.

"Embora isso seja uma estimativa, [os números] têm uma base científica", acrescentou o governador. Segundo Rossello, elaborar uma lista completa das mortes relacionadas com o furacão pode levar meses ou anos.

As últimas descobertas surgem de uma nova investigação, ordenada pelo Governo e realizada por especialistas do Instituto Milken de Saúde Pública da Universidade George Washington sobre o excesso de mortalidade estimado pelo furacão Maria em Porto Rico.
"Isto mostra a magnitude da catástrofe", disse o governador Rossello ao jornal El Nuevo Dia.
Porto Rico tem tentando reparar a infraestrutura e a rede elétrica de todo o território desde a tempestade, em setembro de 2017. A ilha propôs ao Congresso dos Estados Unidos um plano de reconstrução de 139 mil milhões de dólares.

Em comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que “o Governo federal tem apoiado, e continuará a apoiar, os esforços de Rossello para assegurar a responsabilidade total e a transparência das fatalidades resultantes dos furacões do ano passado”.
Número quase 50 vezes superior
Na altura da tempestade, o balanço oficial era de 64 vítimas mortais. No entanto, as autoridades da ilha acreditavam que o número de mortos poderia ser muito superior. Posteriormente, o Governo do país reconheceu que o número de mortos superava 1.400.

O número inicial do Governo porto-riquenho foi obtido com base nas vítimas esmagadas por estruturas em colapso, afogamento e atingidos por destroços."Naquele momento, esse [64 mortos] era o número que tínhamos. Hoje temos provas que indicam que o número foi definitivamente maior", frisou Rossello.

Porém, muitas pessoas também morreram como resultado da falta de serviços de saúde, eletricidade e água limpa.

Além disso, várias quebras de energia levaram a um aumento no número de mortes por doença.

"Eu não sou perfeito. Eu cometo erros. Agora, a retrospectiva é de 20-20", respondeu ao El Nuevo Dia Rossello, quando questionado pela falta de reconhecimento de um maior número de mortes pela Administração de Porto Rico até ao momento.

De acordo com Rossello, os médicos "não tinham consciência" de como certificar de forma apropriada as mortes atribuídas a desastres naturais.

"A responsabilidade de julgar a causa das mortes recaiu sobre os médicos", frisou Rossello. "Mas infelizmente não havia nenhum processo formal para prepará-los para este tipo de devastação”, acrescentou.

O estudo da Universidade George Washington revela que o risco de morrer como resultado de tempestades era mais alto para os moradores que viviam nos municípios mais pobres de Porto Rico.

Segundo os especialistas, saber exatamente como e por que as pessoas morreram pode ajudar as autoridades a prevenir futuras mortes relacionadas com furacões.
Trump continua em silêncio
O presidente Donald Trump foi criticado nas semanas que se seguiram à tempestade. Na altura, vários críticos acusaram o chefe de Estado de demonstrar mais preocupação pelos residentes do Texas e da Florida após terem sido atingidos por furacões.
Até ao momento, o Presidente norte-americano ainda não se pronunciou sobre a nova estimativa do número de mortos do furação Maria.
“Se olharmos para uma verdadeira catástrofe como o Katrina, com centenas e centenas de pessoas mortas, e olharmos para o que aconteceu aqui, uma tempestade que foi totalmente avassaladora - ninguém viu algo assim”, disse em outubro o Presidente dos Estados Unidos, numa conferência de imprensa.

“Dezasseis pessoas contra milhares [balanço do número de mortos naquela altura]. Podem estar muito orgulhosos do que aconteceu em Porto Rico”, rematou Trump.

O número oficial de mortos do furacão Maria é relevante, porque as famílias daqueles que morreram no rescaldo da tempestade são elegíveis a receber algumas despesas de funeral cobertas pelo Governo dos EUA.

O furação Maria atingiu a ilha em setembro de 2017, devastando a infraestrutura e rede elétrica de Porto Rico. Além disso, os morados do país ainda sofrem com falta de serviços.

Maria é classificada como o terceiro ciclone financeiramente mais caro da história dos EUA desde 1900. O número de mortos é um terço maior do que o mais caro - o furacão Katrina, em 2005, com uma estimativa de 1.833 mortos.
Tópicos
PUB