Portugal condena ataques dos rebeldes houthis contra navios sauditas

Portugal condena ataques dos rebeldes houthis contra navios sauditas

O Governo português condenou hoje os ataques dos rebeldes houthis do Iémen contra navios sauditas e a ameaça de bloqueio marítimo à Arábia Saudita, sublinhando que "agrava seriamente a instabilidade na região".

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Numa nota na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considerou "inaceitável a ameaça Houthi de bloqueio marítimo ao Reino da Arábia Saudita" e condenou "inapelavelmente os ataques contra navios sauditas".

"[O Governo português] Exprime pois solidariedade com as autoridades e o povo saudita. O condicionamento da liberdade de navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab-el-Mandeb é uma violação flagrante do Direito Internacional do Mar", pode ler-se, na nota do ministério liderado por Paulo Rangel.

A diplomacia portuguesa sublinhou ainda que "a ameaça Houthi agrava seriamente a instabilidade na região e promove a sua escalada".

Os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, asseguraram hoje que não encerraram o estratégico estreito de Bab el-Mandeb e insistiram que o bloqueio marítimo anunciado recentemente visa apenas os navios da Arábia Saudita.

"Não há qualquer encerramento de Bab el-Mandeb, ao contrário do que alguns afirmam", escreveu na rede social X o principal negociador huthi, Mohammed Abdulsalam, esclarecendo que o bloqueio marítimo assumido pelo movimento xiita é dirigido exclusivamente contra a navegação saudita.

A medida, acrescentou, foi tomada em resposta ao "bloqueio" imposto por Riade ao Iémen e à "recusa" do reino saudita em aceitar uma solução política justa.

Os rebeldes xiitas do Iémen impuseram o bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita após uma troca de tiros entre os dois lados na semana passada.

Há cerca de uma semana, os houthis lançaram mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sul da Arábia Saudita, em retaliação por um ataque do Governo iemenita, apoiado por uma coligação militar liderada por Riade e reconhecido internacionalmente, contra o aeroporto da capital iemenita.

O grupo pró-iraniano controla atualmente o noroeste do Iémen, incluindo a capital, Sana.

Na mesma mensagem publicada na rede social X, Mohammed Abdulsalam procurou tranquilizar o setor do transporte marítimo internacional, assegurando que a via permanece aberta, apesar das ameaças dos houthis ao tráfego, num contexto de receios de que Bab el-Mandeb possa evoluir para uma situação semelhante à do estreito de Ormuz.

O estreito de Bab el-Mandeb é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, ligando o mar Vermelho ao golfo de Aden e, consequentemente, ao oceano Índico, constituindo um ponto de passagem obrigatório na rota mais curta entre a Europa e a Ásia através do canal de Suez.

As declarações surgem quatro dias depois de os houthis terem anunciado um bloqueio naval à Arábia Saudita, afirmando que os navios ligados ao reino do Golfo estariam proibidos de navegar em águas sob o seu controlo, no âmbito de uma política de "bloqueio por bloqueio".

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