Portugal defende ligação entre ensino profissional e superior em conferência na China

Portugal defende ligação entre ensino profissional e superior em conferência na China

O ministro da Educação, Ciência e Inovação português defendeu hoje, numa conferência internacional na China, maior articulação entre o ensino profissional e o ensino superior, para responder às transformações tecnológicas e às necessidades do mercado de trabalho.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Lusa

"O ensino profissional e o ensino superior não devem ser encarados como mundos separados", afirmou Fernando Alexandre, na Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, que decorre na cidade chinesa de Tianjin.

De acordo com o governante, o sistema português permite percursos flexíveis, incluindo o acesso ao ensino superior em diferentes fases da vida dos estudantes e trabalhadores.

Fernando Alexandre destacou a consolidação dos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP), que representam atualmente cerca de 13% dos novos ingressos no ensino superior, acrescentando que mais de metade dos diplomados destes cursos prosseguem os estudos.

"Isto demonstra que os percursos profissionais e académicos não precisam de competir entre si. Pelo contrário, podem complementar-se", afirmou.

O ministro considerou que a transição ecológica, a digitalização, a inteligência artificial e as alterações demográficas estão a criar oportunidades, mas também desafios sem precedentes para os sistemas educativos.

"A questão central já não é saber se as competências são importantes, mas quais são as competências necessárias", sustentou.

Fernando Alexandre identificou três prioridades para Portugal: preparar os estudantes para as transições digital e ecológica, aproximar o ensino profissional do ensino superior e reforçar a qualidade e o reconhecimento das qualificações.

Neste âmbito, destacou a criação de mais de 400 centros tecnológicos especializados em Portugal, num investimento de aproximadamente 500 milhões de euros, em áreas como as tecnologias digitais, a informática, as energias renováveis e a indústria avançada.

Segundo o ministro, os centros foram desenvolvidos em parceria com instituições de ensino superior e empresas, para aproximar a formação das necessidades do mercado de trabalho.

O governante defendeu também o reforço da aprendizagem ao longo da vida, através de cursos de curta duração e formação modular, que permitam aos trabalhadores atualizar competências e adaptar-se às mudanças económicas.

Na vertente internacional, Fernando Alexandre manifestou a disponibilidade de Portugal para aprofundar a cooperação em matéria de ensino profissional, nomeadamente na definição de padrões de qualidade e no reconhecimento das qualificações.

"Os quadros internacionais são mais fortes quando respeitam a diversidade dos sistemas nacionais e apoiam a cooperação, em vez da uniformização", afirmou.

O ministro considerou que a confiança, a transparência e a melhoria contínua são fundamentais para que as qualificações sejam reconhecidas e valorizadas além-fronteiras.

A conferência, que decorre entre 15 e 17 de outubro em Tianjin, no norte da China, reúne 51 representantes de nível ministerial ou superior de 41 países, segundo o Ministério da Educação chinês.

Organizado por este ministério, pela Comissão Nacional Chinesa para a UNESCO e pelo município de Tianjin, o encontro tem como tema "Ensino profissional mundial: enfrentar conjuntamente as mudanças, estabelecer normas e construir o futuro".

Um dos principais objetivos é a apresentação do chamado "Acordo de Pequim", um quadro internacional de normas para o ensino profissional, desenvolvido sob liderança chinesa e que, segundo Pequim, já recebeu o apoio de 46 países.

A conferência realiza-se de dois em dois anos desde 2022. Na edição de 2024, os participantes aprovaram o "Consenso de Tianjin", que defendia uma maior cooperação internacional e o desenvolvimento de normas comuns para melhorar a qualidade do ensino profissional.

"Os desafios que enfrentamos são globais. Nenhum país consegue enfrentá-los sozinho", apontou Fernando Alexandre, defendendo a partilha de experiências e o reforço da cooperação internacional.

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