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Europa-Comissão Europeia
Portugal defende resposta firme da UE às ameaças comerciais de Donald Trump
Portugal quer uma resposta forte e unida da União Europeia às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que promete impor tarifas aos países europeus que se oponham à estratégia da Casa Branca para a Gronelândia.
À entrada para a reunião dos ministros das Finanças do Euro, em Bruxelas, Joaquim Miranda Sarmento afirmou que, apesar de não querer antecipar decisões, defende uma posição robusta por parte de Bruxelas perante as intenções de Washington. Questionado sobre o possível impacto de medidas norte‑americanas, o ministro português sublinhou que Portugal está hoje numa situação “mais confortável e mais robusta” para enfrentar potenciais choques externos negativos.
Para o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, estão “todas as possibilidades em cima da mesa” quanto à resposta da União Europeia às recentes ameaças comerciais dos Estados Unidos. Perante o que classificou como declarações “inaceitáveis” vindas de Washington, o responsável garantiu que Bruxelas está a preparar uma reação coordenada e proporcional.
Entretanto, em Washington, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, avisou que qualquer retaliação tarifária por parte da União Europeia seria “muito imprudente”. A declaração surge num momento de crescente tensão entre as duas margens do Atlântico, com ambos os blocos a manterem abertas todas as opções num clima diplomático cada vez mais tenso.
A tensão entre os EUA e vários estados europeus agravou-se depois de Donald Trump anunciar que pretende aplicar tarifas sobre a importação de mercadorias de oito países europeus que contestam os planos norte‑americanos para a Gronelândia — território que o presidente dos EUA admite querer anexar “a bem ou a mal”. Nas últimas semanas, vários países europeus enviaram tropas para exercícios no território, a pedido da Dinamarca.
Face à escalada, o presidente francês Emmanuel Macron pediu à União Europeia que ative o instrumento anti‑coerção, uma ferramenta que permite limitar importações, restringir o acesso a mercados públicos e bloquear determinados investimentos — uma espécie de “bomba atómica comercial”. Macron convocou ainda uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional para discutir a evolução da situação internacional.
Dombrovskis sublinhou que o executivo europeu acompanha de perto a escalada provocada pelas intenções da administração norte‑americana de impor tarifas aos países que contestam a estratégia de Washington para a Gronelândia. Segundo o comissário, o plano de resposta da UE está já em fase avançada de definição, envolvendo vários instrumentos disponíveis no quadro comunitário.