Portugal e Catalunha teriam melhores relações sem a Espanha "de permeio" - independentistas
As relações entre Portugal e a Catalunha poderiam intensificar-se com uma independência da região, beneficiando de não ter o Estado espanhol "de permeio", disse em entrevista à Lusa o cabeça de lista da plataforma pela independência da Catalunha.
"Somos países vizinhos e as relações de todos os tipos (comerciais, académicas, institucionais, humanas e familiares) são muito próximas. Estou convencido de que tudo isto não será prejudicado pelo facto de a Catalunha se tornar independente. Pelo contrário: as relações vão intensificar-se porque já não haverá um Estado intermediário de permeio e porque boa parte de estas relações de que falo, económicas e institucionais, serão mais diretas e bilaterais", declarou Raul Romeva numa entrevista, por escrito, à Agência Lusa.
"Da mesma forma como dizemos que Espanha será um bom parceiro, um bom aliado e um bom vizinho do Estado catalão, também estou convencido de que Portugal o será. Não poderia ser de outro modo", sublinhou.
Romeva é o cabeça de lista da Junts pel Sí, a plataforma política que pretende iniciar um processo de independência na Catalunha caso obtenha a maioria absoluta nas eleições autonómicas da região do próximo domingo. A Junts pel Sí (Juntos pelo Sim) integra o partido do atual presidente catalão, Artur Mas (número quatro da lista), a Convergência Democrática Catalana (CDC), a Esquerra Republicana Catalana (ERC) e vários movimentos cívicos.
Economista de formação, Romeva acredita que as "relações entre Catalunha e Portugal serão sempre mais do que boas" e acredita que os portugueses, pela sua história, são dos povos europeus que mais bem conhecem as razões que levam a região a tentar separar-se de Espanha.
Na terça-feira, em Bruxelas, e com o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, a seu lado, defendeu a "integridade territorial de Espanha", juntando-se ao líder britânico, David Cameron, e à chanceler alemã, Angela Merkel, contra uma independência unilateral da Catalunha.
Romeva desvalorizou as posições de todos estes líderes europeus, mas deixou um recado claro: os Estados não se devem meter nos assuntos internos de outros Estados.
"Nesta fase do processo não esperamos qualquer posicionamento de nenhum país. Nem o pedimos nem o esperamos, porque entendemos que a dinâmica dos Estados é a de não se meterem nos assuntos internos dos outros Estados", salientou.
Por outro lado, sublinha, "cada vez há mais dirigentes políticos internacionais a tomarem posições sobre o processo catalão, alguns a favor e outros contra" a independência.
"Isto quer dizer que o caso catalão está internacionalizado, em grande medida graças às pressões do governo espanhol. No caso de Portugal também temos visto expressões públicas de simpatia, por exemplo por parte do ex-Presidente da República Mário Soares", afirmou.