Portugal e México "já deveriam ter encontrado um caminho que os unisse mais", diz Embaixador

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O embaixador do México em Portugal, Alfredo Pérez Bravo, considera a Feira do Livro de Guadalajara uma "oportunidade verdadeiramente extraordinária" para aproximar dois países que "já deveriam, há muitos anos, ter encontrado um caminho que os unisse mais".

Em entrevista à agência Lusa a duas semanas da abertura da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, na qual Portugal é país convidado, Alfredo Pérez Bravo qualificou-a como "o maior evento na história da relação México-Portugal".

"No México, se perguntarem por Portugal, a resposta será praticamente futebol, Cristiano Ronaldo e pouco mais. Algumas pessoas poderão falar de fado ou dos lugares lindos como Porto, Coimbra, Alentejo, mas falta muita informação, falta conhecermo-nos mais", disse.

A Feira do Livro de Guadalajara, que abre no dia 24, é considerada a segunda maior feira de negócio livreiro do mundo e a mais importante da América Latina. Ser convidado de honra significa uma maior exposição internacional da cultura desse país, muito para lá da literatura.

No caso de Portugal, além da presença de cerca de 40 autores de língua portuguesa, como António Lobo Antunes, Afonso Cruz e Lídia Jorge, o programa cultural incluirá concertos, exposições, dança, teatro, gastronomia e debates.

Com esta iniciativa, o Governo português traçou vários objetivos, nomeadamente internacionalizar a cultura e a ciência portuguesas, fazer "prospeção de novos mercados" e apostar "na exportação da economia portuguesa", como se lê no documento com as linhas orientadoras, aprovado em 2017.

Alfredo Pérez Bravo, embaixador do México em Portugal desde 2015, considera que "uma atividade cultural deve estar ligada ou abrir caminho a outras atividades de tipo comercial, financeiro, de investimento".

"As prioridades de Portugal não foram nem o México nem a América Latina, durante muitos anos. As prioridades do México não foram Portugal nem provavelmente a Europa, mas os tempos estão a mudar. Portugal é muito importante para o México, porque é a entrada na Europa", disse.

Do ponto de vista empresarial, o diplomata traçou outro cenário: "De todo o conjunto das relações bilaterais, o setor empresarial e de investimento foi o que mais cresceu entre os dois países".

Segundo contas do embaixador, em 2015 havia cerca de 70 empresas portuguesas que tinham negócios com o México. "Em 2018 estamos a chegar a 800 empresas portuguesas que fazem negócios, que se estabeleceram, que têm alguma relação comercial e de investimento no México. O crescimento é fabuloso! Isto deve-se aos empresários portugueses que descobriram o México", descreveu.

Reconhecendo que o México tem ainda uma imagem externa marcada por "pontos de violência, alguns pontos de conflito derivados do narcotráfico", Alfredo Pérez Bravo disse que "há muito caminho para percorrer".

"Os meus amigos portugueses conhecem muito pouco do México. Conhecem Cancún, a tequila, o `sombrero` e este tipo de coisas que identificam muito vagamente os países. Quando lhes falo da gastronomia, da História, da geografia, descubro que não há um grande conhecimento. Há muito caminho para fazer, para nos conhecermos mutuamente, mas também vejo que há grande empatia e simpatia entre portugueses e mexicanos", rematou.

 

 

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Antunes Afonso Cruz Lídia, Guadalajara, México,

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