Portugal provou a Obama que é diferente da Grécia, afirma Paulo Portas

Boston, 06 jun (Lusa) - Portugal demonstrou no último ano que é diferente da Grécia, ao contrário do que acreditavam, entre outros, o presidente norte-americano Barack Obama, disse hoje nos Estados Unidos o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

Lusa /

Falando no Massachusetts Institute of Technology perante cerca de duas centenas de pessoas, sobretudo alunos e professores da instituição de ensino superior de Boston, nordeste dos Estados Unidos, Portas afirmou que o primeiro problema enfrentado pelo governo que integra foi de "perceção".

"Mesmo o presidente Obama disse uma vez que a América não era a Grécia ou Portugal", afirmou Portas, evocando uma intervenção do presidente norte-americano sobre a situação financeira dos Estados Unidos.

"Um ano depois, não há tal coisa como Grécia e Portugal. A Grécia tem uma atitude, Portugal tem outra. Não critico outros, tenho muito orgulho na atitude portuguesa", adiantou Portas, falando de improviso sobre a "Perspetiva Portuguesa no Atual Contexto Europeu".

Esta atitude, disse, foi de "cumprir obrigações, atingir, objetivos e honrar a nossa palavra", para recuperar "mais rápido" a autonomia perdida com a adesão ao programa de ajuda externa.

Quatro avaliações positivas da "troika", "querem dizer que estamos no caminho certo", disse.

Com muitos estudantes portugueses na plateia, além de empresários luso-americanos e líderes comunitários, Portas sublinhou a estabilidade governativa e maioria no parlamento do atual executivo, que evitam uma "crise política", mesmo a meio de um ano de recessão económica profunda.

"Estamos exatamente no meio da ponte desse ano difícil de 2012. Estamos a tentar construir consensos sobre reformas estruturais. Ainda temos um problema com défice e divida, estamos a reduzir ambos", afirmou.

"Mas em 2012 estamos a tentar criar condições para uma economia mais aberta, mais competitiva, atraente. (...) O programa para 2012 é reformar, reformar, reformar, reformar. Tentar consensos para reformar", adiantou.

As necessárias reformas, disse, incluem o mercado laboral, Justiça, Segurança Social, arrendamento e reforço de autoridades e políticas de concorrência.

Apontou ainda como "sinais positivos" o "muito bom começo" do programa de privatizações e o comportamento das exportações.

"No que depende de Portugal, estamos a cumprir, queremos cumprir e vamos cumprir como país. Obviamente temos instabilidade na zona euro e Portugal tem de ter um papel construtivo para encontrar soluções. Precisamos de estabilidade para construir confiança", adiantou.

Para Portas, austeridade e crescimento são "dois pilares para uma boa política económica" e "não é intelectualmente honesto" advogar um deles isoladamente.

"Nunca teremos crescimento sustentável regressando a gastar, gastar, gastar o dinheiro que não se tem. Só com austeridade, falha-se no equilíbrio do orçamento", disse.

O ministro foi questionado pela audiência sobre a continuidade do programa MIT-Portugal, que está a ser negociada, e defendeu que este e outros programas semelhantes "podem abrir as universidades, economia, empresas e os cientistas e técnicos" portugueses.

"As negociações estão em curso e espero que seja uma boa conclusão. É um programa importante para Portugal", afirmou.

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