Português fala de situação calma e país a funcionar nomalmente

Lisboa, 06 Ago (Lusa) - Um biólogo português residente na Mauritânia disse hoje à agência Lusa que a situação é calma após o golpe de Estado no país, com os serviços públicos a funcionar e as pessoas a trabalhar normalmente.

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António Araújo, que é funcionário do Parque Internacional do Banco de Arguin nos arredores de Nouakchott e vive há nove anos na Mauritânia, descreveu uma cidade calma a funcionar normalmente, apenas com mais militares nas ruas.

"Saí hoje de Nouakchott em direcção a Dacar e a situação é perfeitamente calma. Os serviços estão todos a funcionar. Estou na fronteira da Mauritânia com o Senegal e as informações que tenho é que as pessoas estão todas nos gabinetes a trabalhar", disse António Araújo à agência Lusa.

Acrescentou que se nota a presença de mais militares nas ruas, uma realidade que já se vinha registando nos últimos dias.

"Há mais militares na rua do que habitualmente, mas já tínhamos observado isso nos últimos dias com a desculpa de que era necessário reforçar a segurança da via pública porque tem havido alguma actividade de pequenos criminosos", explicou.

Segundo o biólogo português, cerca das 8:00 locais, o Presidente da República anunciou algumas mudanças na hierarquia militar, demitindo alguns oficiais superiores.

"Aparentemente, isso não terá sido concertado com os militares e o chefe dos militares recolheu no seu gabinete o Presidente da República e o primeiro-ministro", disse António Araújo, sublinhando que tudo foi feito "discretamente" e "sem qualquer sobressalto, a não ser político".

"Não houve nenhum comunicado, nem um único tiro", frisou.

António Araújo, que disse não ser possível para já falar em golpe de Estado, referiu à Lusa que a situação de hoje já se vinha anunciando, sendo visível o mal-estar entre a sociedade civil, os políticos e os militares, agravado pela divisão no seio do partido no poder.

O cidadão português disse acreditar que seja possível chegar a um entendimento para a criação de uma junta militar que convoque eleições e considerou que esta situação prejudicará fortemente a credibilidade internacional conseguida pela Mauritânia.

"É sobretudo lamentável para a Mauritânia porque tinham conseguido, depois de um processo de mudança forçada mas exemplar, realizar eleições democráticas, escolher um governo e ganhar alguma credibilidade internacional e é obvio que isto vai colocar o país numa situação complicada, voltando ao estatuto de país subdesenvolvido gerido por militares", comentou.

O presidente da Mauritânia, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed Waghf, foram hoje detidos em Nouakchott por militares, na sequência de um golpe de Estado, disseram fontes da segurança.

As emissões da rádio e a televisão mauritanas foram interrompidas e, de acordo com testemunhas, registava-se movimento de tropas na capital da Mauritânia.

A Mauritânia atravessa uma grave crise política marcada pela demissão, segunda-feira, de 48 parlamentares do partido presidencial.

CFF/MCL/MV

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