Portugueses são 7.ª população da UE que mais sente aumento do custo de vida

Portugueses são 7.ª população da UE que mais sente aumento do custo de vida

Os portugueses são a sétima população da UE que mais sentiu o aumento do custo de vida, com dois em três a afirmarem que o seu poder de compra caiu significativamente no último ano, segundo um inquérito hoje divulgado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
AFP

Segundo este inquérito do Banco Europeu de Investimento (BEI), dedicado à transição energética, 68% dos inquiridos em Portugal afirmam que o seu poder de compra nos últimos 12 meses caiu de forma significativa devido ao aumento dos preços do gás natural, da eletricidade, do combustível e do gasóleo para aquecimento.

Esta é a sétima taxa mais elevada em toda a União Europeia (UE), acima da média europeia (60%). A taxa mais elevada no bloco regista-se na Roménia (80%) e a mais baixa em Malta (23%).

Além de serem dos que mais sentem o aumento do custo de vida, os portugueses estão também entre os europeus que mais optaram por alterar a utilização do carro: quase dois em três (65%) admitem que fazem agora menos viagens, conduzem mais devagar para poupar combustível ou optam mais vezes por transportes públicos.

Trata-se da sexta taxa mais elevada em toda a UE, novamente acima da média da UE, de 60%.

No entanto, no que se refere às despesas diárias em alimentação ou saúde, os portugueses estão entre os que menos alteraram os seus hábitos de consumo: 34% dos inquiridos afirmam que procuraram reduzir essas despesas, a décima taxa mais baixa entre os 27 Estados-membros e abaixo da média europeia (38%).

Transição energética "urgente"

Relativamente às questões sobre a transição energética - o principal foco deste inquérito -, mais de oito em cada dez portugueses (85%) consideram-na urgente para o seu país, com a grande maioria (85%) a apontar como principal benefício o facto de permitir uma menor dependência da importação de petróleo e de gás.

Cerca de 84% dos inquiridos em Portugal indicam ainda que irá trazer "preços mais estáveis ou mais baixos" e outros 79% uma "atenuação das alterações climáticas".

Há quatro anos, num inquérito feito pelo BEI sobre o mesmo tema, o principal benefício da transição energética mencionado pelos portugueses era o facto de permitir atenuar as alterações climáticas. A redução das importações de petróleo e de gás era apenas o oitavo benefício mais referido, enquanto o facto de permitir estabilizar ou baixar os preços não era mencionado de todo.

Sobre o tipo de energias que consideram mais importantes para que a transição energética se concretize no seu país, 64% dos inquiridos em Portugal referem a energia solar (acima da média europeia, de 52%) e 49% a energia eólica (novamente acima da média europeia, de 37%).

Mais de dois em três portugueses (69%) pedem ainda que o desenvolvimento desta transição energética seja feito a nível europeu e não nacional, com uma percentagem quase semelhante (68%) a defender que os Estados-membros devem juntar os recursos para fazer a transição, em vez de cada país financiá-la sozinho.

A maioria dos portugueses (59%) é também favorável a que a transição energética na UE se faça através do desenvolvimento de uma indústria europeia das tecnologias limpas, mesmo que demore mais tempo, enquanto 30% consideram que deve ser feita de forma mais rápida, mas recorrendo a equipamento importado.

Transição para energias limpas

Citada num comunicado de divulgação deste inquérito, a presidente do BEI, Nadia Calviño, refere que Portugal "tem vindo a desempenhar um papel de liderança na transição da Europa para as energias limpas".

"As excelentes fontes de energia renovável do país constituem uma oportunidade fundamental para reduzir a dependência da Europa em relação aos combustíveis fósseis importados, reforçar a nossa autonomia estratégica e a nossa segurança energética e reduzir os custos energéticos para as empresas e os cidadãos", sustenta.

Este inquérito baseou-se em 23 mil entrevistas feitas entre 03 e 25 de agosto nos 27 Estados-membros da UE. Em Portugal foram entrevistadas mil pessoas.

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