Poucos geraram tanta polarização - Amnistia Internacional
A Amnistia Internacional (AI) destacou hoje que Fidel Castro evidenciou-se por boas razões, como a melhoria dos serviços públicos, e por más razões, como a repressão sistemática das liberdades básicas durante a sua governação.
"Há poucas figuras políticas que geraram tanta polarização como Fidel Castro, um líder progressista mas profundamente defeituoso", disse a diretora da AI para as Américas, Erika Guevara-Rosas.
Num comunicado colocado hoje no site da AI, no dia seguinte à morte do histórico líder cubano, com 90 anos, a diretora vincou que "o acesso a serviços como a saúde ou a educação para as pessoas em Cuba melhoraram substancialmente depois da revolução cubana e, por isto, a sua liderança deve ser aplaudida".
No entanto, continuou, "apesar dos feitos em políticas sociais, os 49 anos de Fidel Castro no poder foram caracterizados por uma repressão sem limites à liberdade de expressão".
O estado da liberdade de expressão em Cuba, país "onde os ativistas continuam a enfrentar detenções e represálias por falar contra o governo, é o legado mais obscuro de Fidel Castro", disse a diretora da AI para esta região.
As táticas repressivas usadas pelas autoridades nos últimos anos têm colocado menos pessoas sentenciadas a longos períodos na prisão por razões políticas, mas o controlo do Estado sobre todos os aspetos da vida das pessoas em Cuba continua a ser uma realidade, lê-se no comunicado hoje difundido, no qual se lembra que apenas 25% dos cubanos podem navegar na internet limitada e apenas 5% dos lugares têm acesso à rede.
O comunicado lembra ainda o que fez Fidel Castro em 1959, quando chegou ao poder e organizou julgamentos sumários que resultaram em centenas de execuções, e a resposta que deu à indignação internacional que se gerou.
"A justiça revolucionária não se baseia em preceitos legais, mas sim na convicção moral. Como os aviadores pertenciam à força aérea do anterior Presidente, são criminosos e devem ser castigados", disse Fidel.
"O legado de Fidel Castro é uma história de dois mundos. A pergunta agora é `como ficarão os direitos humanos na Cuba do futuro`e a vida de muitas pessoas depende dessa resposta", concluiu Erika Guevara-Rosas.