PR cabo-verdiano pede diálogo e libertação de presos políticos na Guiné-Bissau

O Presidente cabo-verdiano apelou hoje à libertação dos presos políticos na Guiné-Bissau, "sobretudo de Domingos Simões Pereira", líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), defendendo diálogo para garantir a democracia.

Lusa /

"Eu gostaria hoje, no dia 20 de janeiro, de fazer um movimento de apelo para a libertação de todos os presos políticos, sobretudo de Domingos Simões Pereira, o principal líder da oposição que ainda se encontra sem culpa formada nas prisões da Guiné-Bissau", afirmou José Maria Neves, na cidade da Praia, à margem de uma cerimónia evocativa do Dia dos Heróis Nacionais, feriado que coincide com os 53 anos do assassínio de Amílcar Cabral.

O chefe de Estado cabo-verdiano defendeu a necessidade de se criar um ambiente de diálogo e de busca de entendimentos para a transição, a democracia e para a construção de um Estado de direito que "vá ao encontro das expectativas, dos anseios e das aspirações dos jovens da nova geração da Guiné-Bissau".

No dia 26 de novembro, um dia antes da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, os militares depuseram Umaro Sissoco Embaló, que estava no poder na Guiné-Bissau desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral.

O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, que reivindica a vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria em Bissau, apontando o golpe como uma orquestração de Embaló para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, está detido e incomunicável desde o dia do golpe, sem que lhe tenham sido apresentadas quaisquer acusações, tendo sido igualmente denunciadas as detenções do advogado Augusto Nasambe e de jovens ativistas, mas desconhece-se o número exato de detidos, já que tem sido negado o acesso de advogados e de organizações não governamentais.

No passado dia 08, três políticos detidos na sequência do golpe militar de 26 de novembro foram libertados, seguindo-se aos seis, nomeadamente elementos do corpo de segurança e motoristas dos políticos, que haviam sido libertados a 23 de dezembro.

A libertação de todos os detidos tem sido uma das condições colocadas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para o levantamento da suspensão da Guiné-Bissau desses organismos.

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