PR defende milícia armada do Hezbollah apesar de relatório da ONU
O Presidente libanês, Emile Lahud, defendeu hoje a milícia armada do Hezbollah apesar de o enviado da ONU encarregado da aplicação da resolução 1559 ter afirmado quarta- feira que o "braço armado" da organização deve integrar-se no exército.
"A proposta (de Terje Roed Larsen) não é nova e o seu único objectivo é pôr fim ao papel da resistência libanesa e à capacidade do Líbano para desafiar e enfrentar as tropas de ocupação israelita", garantiu Lahud.
O Presidente libanês interrogou-se, de forma irónica, se a comunidade internacional deseja que "regresse a instabilidade, que o país volte (à situação de) 1982", quando o exército israelita invadiu pela segunda vez o Líbano e chegou a Beirute.
"Actualmente, o Líbano é alvo de ataques dos seus inimigos, em especial de Israel, que quer vingar-se da sua derrota e de ter sido obrigado a retirar do território libanês sem obter um compromisso ou um acordo com o Líbano", afirmou, referindo-se à retirada do exército hebraico do sul do Líbano em Maio de 2000, após 22 anos de ocupação.
A resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU exige o desarmamento das milícias presentes no Líbano, o que o Hezbollah rejeita, garantindo que o seu "braço armado" é a resistência islâmica à ocupação israelita das quintas de Chebaa que, segundo a ONU, pertencem à Síria.
O Chefe de Estado libanês instou os libaneses a que insistam no seu direito de recuperar a soberania e os recursos hídricos e de assegurar a libertação dos seus compatriotas das prisões israelitas.
Também pediu que apoiem o "direito dos palestinianos a regressarem às suas terras, em conformidade com a resolução 1941" do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Todas as pressões exercidas sobre o Líbano se destinam a que Israel consiga os seus objectivos e as partes que apoiam as pressões, libanesas ou estrangeiras, só servem os interesses desse país", frisou Lahud.
Sobre o pedido efectuado quarta-feira pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que instou à normalização das relações entre a Síria e o Líbano, Lahud manifestou o desejo de que estas melhorem.
"É benéfico para o Líbano que estas (relações com a Síria) sejam excelentes, já que os dois países estão ligados pela geografia e pela história", explicou.
Segundo o Presidente libanês, o Alto Conselho Líbano-Sírio é capaz de resolver qualquer problema entre ambos os países e a questão do estabelecimento de relações diplomáticas com a Síria é "negociável".
A propósito da visita que o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, efectua aos Estados Unidos, Lahud formulou o voto de que os "resultados correspondam às expectativas dos libaneses", mas advertiu que "até agora, os Estados Unidos só servem os interesses de Israel a expensas dos do Líbano".