PR Lula disse não acreditar no envolvimento do irmão com a máfia dos jogos

O Presidente Lula da Silva disse hoje, em Nova Deli, que não acredita no envolvimento do seu irmão com grupos acusadas de exploração ilegal de jogos de azar, mas elogiou a actuação da Polícia Federal, informou a imprensa brasileira.

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"Não acredito que ele tenha envolvimento com qualquer coisa, não acredito mesmo. Agora, como Presidente da República, se a Polícia Federal tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência. A investigação da Polícia Federal vale para qualquer um dos 190 milhões de brasileiros", afirmou aos jornalistas brasileiros.

Na segunda-feira, a Polícia Federal fez uma busca na casa do irmão mais velho do Presidente, Genival Inácio dos Santos, conhecido por Vavá, no âmbito da operação "Xeque-Mate", levada a cabo contra suspeitos de crimes de contrabando, corrupção e tráfico de drogas.

Durante a operação, 77 pessoas foram presas, entre elas um ex-deputado, empresários, advogados e polícias.

O irmão mais velho do Presidente foi incluído nas investigações devido a uma escuta telefónica que revelou contactos entre Vavá e um dos envolvidos na máfia das máquinas de jogos de azar.

Lula da Silva elogiou o trabalho da Polícia Federal, mas voltou a pedir serenidade em todas as investigações.

"A Polícia Federal está cumprindo um papel extraordinário no Brasil. Nós precisamos garantir que haja justiça efectivamente, que haja seriedade e que seja apurada a verdade", assinalou.

"A única coisa que eu peço publicamente, e já pedi na semana passada, é que a polícia tenha serenidade nas investigações para que a gente não condene inocentes e para que a gente não venha a absolver culpados", acrescentou.

O Presidente brasileiro disse que ainda não falou com seu irmão e que não sabe detalhes do ocorrido, mas admitiu ter conversado sobre o caso com o ministro da Justiça, Tarso Genro, na manhã de hoje.

"O Tarso só disse que tinha feito a operação, que tinha investigado a casa do meu irmão e eu acho que isso é normal", referiu Lula da Silva.

O chefe de Estado brasileiro disse não temer que o facto seja explorado pela oposição.

"Não acredito. A Polícia Federal é uma polícia republicana que não escolhe partido, que não escolhe religião, mas que faz as investigações porque precisam ser feitas. A mim cabe, como Presidente da República, apenas garantir que haja investigação mais profunda possível em todos os casos, porque é esse o papel da Polícia Federal", sublinhou.

Lula da Silva afirmou ainda ser contra os jogos, mas defendeu a necessidade de regulamentação das casas de jogo no Brasil pelo Congresso Nacional.

"Eu mandei uma medida provisória há dois anos para acabar com os bingos, que foi chumbada no Congresso Nacional e depois não houve uma regulamentação. Enquanto não houver regulamentação, os bingos vão continuar uma parte legal, uma parte clandestina", assinalou.

A operação "Xeque-Mate" resultou de dois inquéritos policiais conduzidos pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Fiscais da Superintendência Regional da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul e contou com a participação de 600 agentes.

No primeiro inquérito, os polícias estavam a investigar cinco organizações criminosas que contrabandeavam componentes electrónicos para o uso em máquinas de jogos, actuavam na exploração ilegal de jogos de azar e na corrupção de agentes públicos, principalmente polícias.

O segundo inquérito visava apurar a corrupção de polícias civis e seu possível envolvimento com tráfico de droga no Estado do Mato Grosso do Sul.

Segundo a polícia, a operação foi um "duro golpe" às quadrilhas investigadas, um verdadeiro "xeque-mate" contra aqueles que exploram o jogo ilegal no Brasil.

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