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PR moçambicano pede aposta no diálogo no dia em que se lembra massacre de Mueda

PR moçambicano pede aposta no diálogo no dia em que se lembra massacre de Mueda

O Presidente moçambicano defendeu hoje o diálogo e rejeitou a violência na resolução de quaisquer conflitos, ao assinalar o massacre de Mueda, em que forças portuguesas atiraram contra uma "multidão indefesa", em Cabo Delgado, norte do país.

Lusa /

"Vinham com a palavra e não com espada, vinham com a esperança e não com ódio que certas pessoas tentam ensinar ao povo moçambicano. Isto mostra que o povo moçambicano sempre foi um povo de diálogo, nunca foi um povo de violência e nunca foi um povo do ódio entre irmãos que querem trazer na nossa cultura e no nosso seio", disse Daniel Chapo, ao assinalar, hoje, os 65 anos do Massacre de Mueda.

O massacre de Mueda, ocorrido em 16 de junho de 1960, no distrito de Mueda, em Cabo Delgado, representa um dos últimos episódios da resistência dos moçambicanos face à dominação colonial portuguesa, antes do início da luta armada de libertação do país, em 25 de setembro de 1964, e que culminou com a independência de Moçambique, em 25 de junho de 1975.

O Presidente moçambicano, ao assinalar a data, lembrou aos moçambicanos o desejo de dialogar dos que foram massacrados em Mueda, pedindo união de todas as classes sociais à volta do diálogo político visando reformas em curso no país.

"O diálogo, quando possível, deve sempre preceder à violência e nunca o contrário, nunca devemos partir da violência para o diálogo, mas sim do diálogo em primeiro lugar, porque só o diálogo é que resolve as nossas preocupações", disse Chapo, indicando que é desejo do Governo usar o diálogo para "construir consensos, corrigir assimetrias e garantir que nenhum cidadão se sinta estranho na terra onde se viu nascer".

"Onde o diálogo é ignorado sempre cresce a frustração, por isso nós pautamos pelo diálogo, onde reina a convulsão germina a violência, onde impera a violência a paz morre", acrescentou o chefe do Estado moçambicano.

O Presidente da República lembrou o massacre de Mueda como um marco de coragem na luta pela independência, em que se pautou pela negociação com o regime colonial, assinalando a violência colonial daquela data como um ato que "transbordou a paciência do povo moçambicano".

"O colonialismo respondeu com as balas num ato brutal e premeditado, as forças coloniais portuguesas abriram fogo contra uma multidão indefesa que tinha apenas areia como a sua arma, ceifando dezenas, talvez centenas de vidas inocentes", disse Chapo, referindo que o executivo atual ainda aposta no diálogo para o fim dos conflitos no país.

"O diálogo era a sua equação privilegiada que é o que nós defendemos 24/24 horas, de segunda a segunda em todo este Moçambique (...) O povo de Mueda, quando se aproximou, não tinha arma, não tinha palavras de violência, não tinha ações de violência, não tinha ódio e não tinha destruído nada em Mueda, foram apenas negociar a nossa liberdade", disse.  

Moçambique viveu quase cinco meses de tensão social, com manifestações, inicialmente em contestação aos resultados eleitorais de 09 de outubro, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, saldando-se na morte de 400 pessoas em confrontos entre a polícia e os manifestantes, além de destruição de bens.

O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 mortos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias durante as manifestações.

Os partidos moçambicanos com assento parlamentar e nas assembleias municipais e provinciais assinaram em 05 de março um compromisso político com o Presidente de Moçambique, visando reformas estatais, o qual foi, posteriormente, transformado em lei pelo parlamento moçambicano.

Em 23 de março, Mondlane e Chapo encontraram-se pela primeira vez e foi também assumido um compromisso de acabar com a violência pós-eleitoral no país, tendo voltado a reunir-se em 21 de maio com uma agenda para pacificar o país.

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