PR moçambicano pede que se denuncie venda de casas de vítimas de inundações
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje que se denuncie casos de venda de casas atribuídas às vítimas de inundações em Sofala, no centro de Moçambique.
O chefe de Estado pediu o "apoio de todos" na denúncia de "pessoas que vão vender casas para depois retornarem às zonas baixas", durante a entrega de 1.707 casas às vítimas do ciclone Idai, construídas pela fundação de caridade Tzu Chi, em Guara-Guara.
"Contamos com o apoio de todos vocês porque se tivermos pessoas que vão vender casas para depois retornarem às zonas baixas, não vamos conseguir alcançar esse objetivo. É melhor denunciar ao nosso administrador, denunciar ao nosso chefe do posto, denunciar às autoridades que estão aqui, que estão conosco", disse Daniel Chapo.
As casas entregues hoje, numa zona de reassentamento, são parte de um total de três mil construídas pela fundação Tzu Chi, no âmbito do projeto de apoio à reconstrução pós-ciclone em Sofala, que fustigou aquela província em 2019.
"Foram erguidas 3.182 casas, um número acima das três mil habitações previstas à luz de um memorando que a Tzu Chi assinou com o Governo de Moçambique em 2019, um esforço que, só na habitação, esteve orçado em 45 milhões de dólares", refere um comunicado daquela fundação de princípios budistas.
Ainda hoje, o Presidente moçambicano inaugurou a Escola Secundária de Nhamatanda, em Sofala, que passa a ser considerada a maior do país, também construída com capitais da fundação de caridade.
"Hoje, inauguramos um complexo moderno com salas de aula, laboratório, biblioteca, sala de informática, bloco administrativo e campo de futebol. Mas, o que inauguramos aqui não é apenas cimento e tijolo", disse Chapo, durante a inauguração.
Para o chefe de Estado, a inauguração de mais uma infraestrutura de ensino simboliza capacidade, conhecimento, a ascensão de um povo, esperança, resiliência: "inauguramos o futuro do povo moçambicano".
Na sexta-feira, Chapo entregou, na Beira, a Escola Secundária da Manga, destruída pelo ciclone Idai, em 2019, e agora reabilitada. Tal como na Escola de Esturro, o presidente moçambicano pediu conservação da Escola da Manga.
De acordo com a procuradoria provincial de Gaza, sul de Moçambique, pelo menos 10 funcionários públicos foram detidos por desvio de donativos para vítimas de cheias.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 242, com registo de praticamente 869 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).