PR não se recandidata ao cargo, termina mandato em 13 de Maio
O presidente da República italiano, Carlo Azeglio Ciampi, cujo mandato termina a 13 de Maio, anunciou hoje que não se recandidatará ao cargo, podendo atrasar a formação de um novo Governo após as recentes legislativas.
Em declarações hoje publicadas no Corriere della Sera, Ciampi responde assim aos que, nas últimas semanas, viram com bons olhos a possibilidade de ele se candidatar a um segundo mandato de sete anos.
"Estou convencido de que sete anos já são muitos", observou Ciampi.
Contudo, o presidente italiano assegura que não se retirará "em absoluto da cena política".
"Serei - disse - senador vitalício, e dedicar-me-ei com o mesmo empenho que sempre impus em todos os cargos que me foram confiados".
As declarações do presidente surgem na altura em que a Itália aguarda ainda a confirmação da vitória eleitoral do dirigente de centro-esquerda Romano Prodi sobre o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, mais de uma semana depois de as urnas encerrarem.
"Felizmente, a idade está do meu lado e de uma certa forma afasta a possibilidade de um novo mandato de presidente", disse Ciampi, 85 anos, ao Corriere della Sera.
Segundo a Constituição, cabe ao presidente ordenar a formação de um Governo, mas por coincidência o mandato de Ciampi termina a 18 de Maio.
Ciampi indicou que deixará essa tarefa para o seu sucessor, mas divisões no meio político italiano poderão dificultar um consenso sobre o nome indicado.
O presidente é eleito por membros das duas Câmaras do Parlamento e representantes regionais - no total, mais de 1.000 eleitores.
O novo presidente tem de ser eleito a 13 de Maio, o que significa que o Governo de Prodi poderá não tomar posse antes da segunda quinzena de Maio.
Entretanto, prossegue hoje a contagem dos votos, segundo as autoridades.
A contagem deverá confirmar a vitória tangencial de Prodi nas eleições de 9 e 10 de Abril depois de, na semana passada, o Ministério do Interior ter reduzido de 80.000 para 5.200 o número de boletins a serem contados.
Este número não é o suficiente para Berlusconi ver alterado o resultado eleitoral a seu favor.