PR timorense pede a líderes para colocarem interesse nacional acima de tudo
O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, pediu hoje aos líderes e instituições da Guiné-Bissau para colocarem o interesse nacional acima de tudo e protegerem o processo eleitoral, na sequência da tomada do poder pelos militares naquele país africano.
"Apelo, neste momento, a todos os líderes e instituições da Guiné-Bissau que coloquem o interesse nacional acima de tudo, que rejeitem qualquer forma de violência e que defendam a ordem constitucional que salvaguarda a vontade do povo", afirmou o chefe de Estado timorense, em comunicado divulgado à imprensa.
José Ramos-Horta, que foi representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, entre janeiro de 2013 e junho de 2014, disse também que o "processo eleitoral deve ser protegido".
"Exorto todas as partes a aguardarem os resultados oficiais das eleições e a trabalharem em conjunto pela paz e pela estabilidade", pediu o Presidente timorense e prémio Nobel da Paz.
O chefe de Estado manifestou também a disponibilidade de Timor-Leste apoiar em conjunto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a comunidade internacional "quaisquer esforços diplomáticos destinados a restaurar a calma, proteger a ordem constitucional e assegurar o bem-estar do povo guineense".
"A Guiné-Bissau exerce atualmente a Presidência rotativa da CPLP, um papel que implica a responsabilidade de promover os valores fundamentais da organização: cooperação, solidariedade e diálogo construtivo entre as nações lusófonas", salienta-se também no comunicado.
Os militares guineenses anunciaram na quarta-feira ter tomado o poder, um dia antes da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciar o resultado das eleições gerais, realizadas no domingo.
No dia seguinte à votação, na segunda-feira, o candidato da oposição Fernando Dias reclamou vitória na primeira volta contra o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.
Desde a sua independência de Portugal, a Guiné-Bissau sofreu, com este, cinco golpes de Estado, 17 tentativas de golpe e uma série de mudanças de Governo.