PR timorense recorda padre Martinho da Costa Lopes como a "voz dos sem voz"

PR timorense recorda padre Martinho da Costa Lopes como a "voz dos sem voz"

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, recordou hoje o padre Martinho da Costa Lopes como a "voz dos sem voz" numa homenagem em Manatuto, a leste de Díli, e terra natal do antigo administrador apostólico da Diocese de Díli.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Lusa

Os restos mortais do monsenhor Martinho da Costa Lopes e de dois antigos bispos portugueses de Díli chegaram terça-feira a Timor-Leste para serem sepultados na catedral da capital timorense, numa última homenagem do Estado e da igreja católica, que se vai realizar em 10 de setembro.

Nascido em Laleia, Manatuto, a 11 de novembro de 1918, o monsenhor Martinho da Costa Lopes foi nomeado vigário-geral da diocese de Díli em 1975 e administrador apostólico de Díli em 1977.

Durante o período da ocupação indonésia, denunciou a violência contra a população timorense e defendeu os direitos e a dignidade do povo de Timor-Leste. Faleceu em Portugal, a 27 de fevereiro de 1991, sem ver a restauração da independência do seu país, que só aconteceu em 20 de maio de 2002.

"Guardo a memória de um homem, marcado pelo sofrimento que carregava no rosto a tristeza profunda de quem tinha sido obrigado a deixar a sua terra. De um homem que sabia que talvez nunca mais voltasse a Timor", afirmou José Ramos-Horta num discurso.

Monsenhor Martinho da Costa acabou por "pressão política e eclesial" deixar Díli em 1983 rumo a Roma, seguindo depois para Portugal.

"Poderia ter escolhido o silêncio, aceitado uma vida tranquila com o sentimento de já tinha feito a sua parte, mas não o fez. A partir do exílio começou uma segunda etapa da sua missão e talvez tenha sido a etapa mais solitária da sua vida", disse o também prémio Nobel da Paz.

"A solidão de quem falava sobre uma tragédia que muitos preferiam não ouvir (...) e descobriu também que dentro da comunidade internacional e mesmo dentro dos círculos eclesiais, havia quem preferisse prudência, silêncio e cautela", salientou o Presidente timorense.

Mas, mesmo assim, disse Ramos-Horta, o padre Martinho continuou a "procurar governos, parlamentares, jornalistas, organizações religiosas e organizações de direitos humanos".

"Foi assim que se tornou verdadeiramente naquilo que hoje recordamos: A voz dos sem voz. A força de Monsenhor Dom Martinho não vinha de um exército, de um Estado poderoso, ou de recursos financeiros. Vinha da sua consciência, da sua fé e da convicção de que a dignidade humana não pode ser negociada", disse.

Na cerimónia de hoje foi também atribuído o nome de monsenhor Martinho da Costa Lopes à ponte de Manatuto, por decisão do Governo timorense.

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