PR timorense só decide recandidatura após ouvir Xanana Gusmão
O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou hoje que antes de anunciar uma eventual recandidatura ao cargo vai ouvir o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
"Ainda não tomei uma decisão, porque qualquer coisa que faça por este país procuro sempre consultar e ouvir Xanana Gusmão. Isso não significa que siga simplesmente tudo o que ele diga", disse José Ramos-Horta, quando questionado pelos jornalistas no aeroporto de Díli, após regressar de uma visita privada à Indonésia.
Timor-Leste realiza eleições presidenciais no próximo ano.
"Mas tenho grande confiança em Xanana e apoiarei a opção que ele considerar ser a melhor contribuição da minha parte. Se Xanana Gusmão escolher um novo candidato, isso também será positivo", salientou o chefe de Estado timorense.
"A minha posição é esta: quem for candidato à Presidência deve demonstrar 100% de lealdade a Xanana. Não se pode candidatar com o apoio dele e depois tentar derrubar o seu Governo", afirmou o também prémio Nobel da Paz.
José Ramos-Horta disse que Timor-Leste faz agora parte da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e não deve ter crises internas provocadas por um Presidente, que não colabore com o Governo na nomeação dos seus membros.
O Presidente referia-se ao impasse criado pelo antigo chefe de Estado Francisco Guterres, quando se recusou nomear vários membros do Governo propostos pelo antigo primeiro-ministro Taur Matan Ruak.
"Se houver um candidato realmente bom, deve ser apoiado e deve garantir que trabalhará bem com o primeiro-ministro. Eu estou pronto para me retirar imediatamente. Está é a minha única preocupação", acrescentou Ramos-Horta.
Em novembro, em entrevista à Lusa por ocasião dos 50 anos de declaração da independência, o Presidente timorense afirmou não estar "minimamente motivado" para se candidatar a um novo mandato.