Ataque a gasoduto iraniano sem impacto nas operações
Taiwan pondera retomar energia nuclear face a conflito no Médio Oriente
Taiwan iniciou os procedimentos para reativar duas centrais nucleares, cerca de um ano após o encerramento do último reator em funcionamento, devido à elevada procura energética associada à inteligência artificial e às tensões no Médio Oriente.
A empresa estatal Taipower está a trabalhar para obter as autorizações necessárias para reativar as centrais de Kuosheng, no norte do país, e de Maanshan, no sul, indicou no sábado o líder taiwanês, William Lai.
Segundo Lai, a empresa deverá apresentar um plano à Comissão de Segurança Nuclear até ao final deste mês, sublinhando que a segurança nuclear, a gestão de resíduos e o consenso social são os "três fatores-chave" a considerar.
A iniciativa surge após o encerramento do último reator da central de Maanshan, em maio de 2025, que marcou o fim da era nuclear em Taiwan, na sequência do desmantelamento progressivo das centrais de Chinshan e Kuosheng entre 2018 e 2023.
A decisão anterior concretizou um dos principais objetivos do Partido Democrático Progressista, que defendia uma "pátria livre de energia nuclear", especialmente após o acidente de Fukushima.
O "forte desenvolvimento económico" da ilha, a necessidade de eletricidade com baixas emissões e o crescente consumo energético da indústria da inteligência artificial, a par de alterações legislativas recentes, levaram, porém, o Governo a reconsiderar a sua posição, reconheceu Lai.
O dirigente referia-se a uma lei aprovada no ano passado pelo parlamento, de maioria opositora, que passou a permitir a continuação das operações das centrais nucleares mesmo após entrarem em fase de desmantelamento.
O eventual regresso à energia nuclear é também explicado por fatores geopolíticos. Em 2025, o gás natural liquefeito representou mais de 47% da produção elétrica de Taiwan, sendo cerca de um terço importado do Qatar, segundo dados oficiais.
Cerca de 70% do petróleo bruto importado pela ilha provém igualmente do Médio Oriente, com destaque para Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, o que aumenta a vulnerabilidade a eventuais interrupções no fornecimento devido ao atual conflito na região.
Num comunicado, o ministério dos Assuntos Económicos indicou que o abastecimento de gás natural deverá manter-se estável até ao final de maio e que as importações já estão diversificadas por 14 países, reduzindo a dependência do Médio Oriente.
A dependência de combustíveis importados por via marítima expõe ainda Taiwan a um eventual bloqueio por parte da China, que considera a ilha parte do seu território e não exclui o uso da força.
Nas recentes manobras militares chinesas em torno de Taiwan, designadas "Missão Justiça-2025", o exército simulou cenários de bloqueio e tomada de portos e outras infraestruturas estratégicas.
Iraque diz que número atualizado de mortos em ataque aéreo dos EUA contra ex-paramilitares sobe para 15
Paquistão posiciona-se como eventual palco de negociações
O mundo está em suspenso por cinco dias na reviravolta dramática de Trump sobre o curso da guerra no Irão. Teerão volta a negar uma e outra vez que o caminho para conversar foi aberto.
ONU avisa que bloqueio no Estrito de Ormuz põe em causa a segurança alimentar do mundo
A ONU avisa que o bloqueio no Estreito de Ormuz põe em causa a segurança alimentar do mundo para além da segurança energética. Portugal foi um dos 30 países que assinaram um documento a confirmar a disponibilidade para ajudar a reabrir o Estreito. Israel e Israel voltaram aos bombardeamentos.
O também Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas considera que ainda não é possível prever o impacto do que está a acontecer, por exemplo, no Líbano, com um milhão de deslocados por causa da guerra.
Irão. Governo admite novos apoios a famílias e empresas
O Governo português admite intervir com medidas estruturais de apoio às empresas e famílias, caso o conflito no Médio Oriente se prolongue no tempo.
Paulo Rangel assegura que o Executivo está a monitorizar a evolução da crise com atenção redobrada, preparando terreno para eventuais respostas económicas.
Von der Leyen alerta que Europa atravessa "momento perigoso"
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu hoje no parlamento australiano que a Europa atravessa "um momento perigoso" num contexto internacional cada vez mais instável.
"O mundo em que vivemos é brutal, duro e implacável. Parece estar de pernas para o ar", afirmou a dirigente europeia, alertando que muitas das certezas do passado estão a ser postas em causa num cenário marcado por tensões geopolíticas e económicas.
Von der Leyen sublinhou que a distância geográfica já não protege países como a Austrália, devido ao impacto das ameaças globais e ao avanço tecnológico.
"Atores maliciosos podem alcançar as nossas fronteiras sem sair das deles", disse, numa referência a riscos como a desinformação e a ingerência estrangeira.
Neste contexto, destacou a necessidade de reforçar a resiliência coletiva e a cooperação entre aliados, defendendo que a segurança da Europa e da Austrália estão estreitamente ligadas. "Quando estamos lado a lado somos mais fortes", afirmou.
A presidente da Comissão Europeia alertou ainda contra uma dependência excessiva de determinados fornecedores, numa alusão à China, e sublinhou a importância de diversificar as cadeias de abastecimento para proteger a segurança económica e industrial.
Von der Leyen chamou também a atenção para o impacto das alterações climáticas, que disse estarem a devastar comunidades na Europa, apelando a uma ação conjunta para enfrentar os seus efeitos e destacando que a transição energética integra a agenda comum das duas regiões.
As declarações foram feitas durante o segundo dia da visita de três dias à Austrália, ocasião em que a União Europeia e o país assinaram um acordo de comércio livre após quase uma década de negociações.
O pacto eliminará tarifas sobre exportações australianas chave como vinho, marisco e produtos hortícolas, e ampliará o acesso ao mercado europeu para carne de bovino e ovino, laticínios, arroz e açúcar. Também facilitará a entrada de bens industriais australianos sem taxas.
Em paralelo, Bruxelas e Camberra anunciaram uma nova parceria em matéria de segurança e defesa, destinada a reforçar a cooperação em áreas como a indústria militar, a segurança marítima, o ciberespaço e o combate ao terrorismo e à desinformação.
Austrália e UE reforçam cooperação em matéria de defesa
Vão colaborar para "reforçar a cooperação em matéria de segurança marítima, cibersegurança, combate a ameaças híbridas e combate à manipulação de informações e interferências estrangeiras", afirmou a Comissão Europeia em comunicado.
A Austrália e a União Europeia assinaram igualmente um vasto acordo de comércio livre, culminando anos de negociações.
O acordo foi assinado numa cerimónia na capital australiana, Camberra, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
Portugal está disponível para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz
Portugal é um dos 30 países que assinaram um documento a confirmar a disponibilidade. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já confirmou essa postura.
Estes países exigem que o regime iraniano desbloqueie o estreito de Ormuz e dizem estar prontos, se necessário, para participar numa missão para pôr fim ao bloqueio.
Irão nega ataque com mísseis a base militar dos EUA e Reino Unido em Diego Garcia
O Irão negou hoje ter atacado com mísseis uma base militar conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido na ilha de Diego Garcia, no oceano Índico.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ismail Bagaei, classificou, numa mensagem na sua conta na rede social X, como "desinformação de Israel" as acusações sobre a autoria do Irão nesse ataque da semana passada.
Bagaei citou uma notícia da televisão Al Zazira que recolhia declarações do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que afirmou não poder confirmar a declaração de Israel de que os projéteis utilizados fossem mísseis balísticos intercontinentais iranianos.
"Que até o secretário-geral da NATO se recuse a apoiar a desinformação mais recente de Israel, é muito significativo: o mundo está completamente farto destas histórias desacreditadas de `falsa bandeira`", escreveu o porta-voz iraniano dos Negócios Estrangeiros.
Dois mísseis balísticos de alcance intermédio foram disparados na sexta-feira passada contra Diego García, nas ilhas Chagos, mas nenhum atingiu o alvo, segundo adiantou o jornal Wall Street Journal.
No sábado, o Ministério britânico da Defesa condenou os ataques iranianos "perigosos", recordando que o Governo do Reino Unido autorizou apenas os Estados Unidos a utilizar bases britânicas para operações defensivas específicas e limitadas no atual conflito.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abás Araqchí, o facto de o Reino Unido permitir o uso das suas bases equivale a "participar na agressão", pelo que exigiu a Londres que cesse qualquer cooperação com Washington.
A base militar conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido em Diego García está situada no Arquipélago de Chagos, com uma posição estratégica no centro do Oceano Índico.
Conhecida como `Camp Justice` (embora tenha sido renomeada `Camp Thunder Cove` em 2006), aquela base militar conta com pistas de aterragem de 3.600 metros, capazes de receber B-52, B-1 e B-2 e aviões de carga como o C-17 Globemaster, assim como com um porto perfeito para grandes navios de guerra e porta-aviões.