Praga apela à adesão completa da Turquia na União Europeia
O Primeiro-Ministro checo, Mirek Topolanek, proferiu hoje, em Praga, um forte apelo a favor da adesão plena da Turquia à União europeia.
Topolanek falava após uma reunião com o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, que efectua uma visita oficial de um dia à República Checa.
"A República Checa é uma apoiante de longa data dos esforços turcos para adesão à UE", disse Topolanek aos jornalistas.
"Nenhuma outra forma (de aliança)... pode substituir a adesão completa (da Turquia) à União europeia", acrescentou.
O chefe de governo checo considerou a adesão da Turquia à união mediterrânica, um projecto apoiado pelo Presidente francês, Nicolas sarkozy, como sendo um substituto insuficiente face à integração total deste país na UE.
Topolanek também afirmou que vai aproveitar a presidência rotativa checa da UE no primeiro semestre de 2009 para impulsionar a adesão turca à UE.
Portugal evitou trazer o dossier sobre a adesão da Turquia para a ribalta para não criar ruído face às prioridades da sua actual presidência semestral, nomeadamente a negociação do tratado europeu e a Cimeira Europa/África.
Alguns países como o Reino Unido, Espanha, Suécia e Portugal são ardentes apoiantes da adesão da Turquia, grande país muçulmano que tem fronteiras com o Iraque e Síria, consideram como um aliado estratégico essencial à UE.
Outros, como a França, Áustria ou Chipre opõem-se à adesão da Turquia.
Os 27 iniciaram negociações oficialmente com a Turquia em Outubro de 2005 negociações de adesão organizadas em 35 capítulos temáticos. Mas a abertura desses capítulos faz-se a um ritmo muito lento e mesmo os mais optimistas não acreditam que uma adesão ocorra num período inferior a 10 ou 15 anos.
Esta semana, o presidente francês Nicolas Sarkozy reafirmou no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a sua firme oposição a uma adesão da Turquia à União europeia que alargaria as fronteiras da UE "até à Síria".
"O presidente reafirmou muito claramente a posição francesa. Ele disse que a Turquia é um país de 100 milhões de habitantes que não se situa na Europa, mas na Ásia menor e que não queria ser ele a ter de explicar aos alunos franceses que as fronteiras da Europa se encontravam na Síria", acrescentou a mesma fonte.
Durante a reunião com os responsáveis dos grupos parlamentares, "ele disse que seria hipócrita se prometesse aos Turcos que podiam aderir à UE, o que com ele não acontecerá, e que para Paris a Turquia não pertence à Europa", revelou também o líder dos socialistas Martin Schulz.
"Mas quando eu lhe perguntei se ele porá fim às negociações com a Turquia na agenda da União durante a próxima presidência francesa (no segundo semestre de 2008), aí ele hesitou", deplorou perante a imprensa.
Apesar do abrandamento negocial que se verifica, a presidência portuguesa reafirmou que está a trabalhar pela continuação das negociações de adesão da Turquia à União Europeia e considera "inaceitável" uma interrupção brusca do processo.
"A presidência portuguesa está precisamente a fazer um esforço para que o processo não seja congelado", disse o presidente do conselho de ministros da UE, Luís Amado, à imprensa, depois de ter reunido com o presidente, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios estrangeiros turcos, à margem da conferência de Istambul sobre o Iraque no início de Novembro.
"Seria um erro interromper um processo que deve contar com boa fé das duas partes", acrescentou, frisando que "a Turquia tem feito um esforço para poder convergir com os critérios da UE".
Segundo Luís Amado, "seria inaceitável que se procedesse a uma interrupção brusca".
Ressalvando que o processo negocial "não depende da presidência mas de todos os Estados membros", o ministro dos Negócios Estrangeiros português disse ter dado "algumas garantias ao Governo turco" de que a presidência está a trabalhar para manter as negociações em curso.
Questionado se a Turquia tem razões para se sentir discriminada em relação a outros países candidatos, Amado considerou que não mas que há elementos que podem levar Ancara a duvidar da boa fé negocial da União Europeia.
"É conhecido que têm sido colocados alguns entraves mas a pressão sobre o Governo turco para que haja continuidade no processo de reformas é justificada", disse.
Já na segunda presidência rotativa portuguesa da UE em 2000, o então Primeiro-Ministro, António Guterres garantiu a Ancara que a candidatura turca seria tratada como as restantes e prometeu intensificar o diálogo com com vista à adesão.