Prefeito do Rio de Janeiro enfrenta candidato investigado por corrupção na segunda volta das municipais

O atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, vai enfrentar na segunda volta das eleições municipais o candidato do partido de centro-direita Democratas Eduardo Paes, recentemente constituído arguido num processo de corrupção.

Lusa /

O resultado foi confirmado ao final da noite de domingo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil, após 99,9% das urnas apuradas.

Eduardo Paes, que já foi prefeito do Rio de Janeiro por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2017, numa gestão que lhe valeu várias acusações por corrupção, conseguiu 37% dos votos, tendo passado à segunda volta em primeiro lugar.

Também Marcelo Crivella, do partido Republicanos e que tenta a reeleição no cargo, conseguiu chegar à segunda volta, que se realizará em 29 de novembro, com 21,9% dos votos.

Quer Paes, de 51 anos, quer Crivella, de 63, têm um longo historial político, ambos com muitas polémicas acumuladas.

Eduardo Paes é formado em direito, foi vereador (1996 a 1999) e deputado federal (1999 a 2007). Também atuou como secretário de Turismo, Desporto e Lazer do estado do Rio de Janeiro (2007 a 2008), na gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Contudo, o percurso político foi manchado após tornar-se réu por crimes de corrupção, falsidade ideológica eleitoral e branqueamento de capitais e, em setembro, a casa foi alvo de busca e apreensão.

Segundo o Ministério Público, Paes recebeu cerca de 10,8 milhões de reais (1,67 milhões de euros, no câmbio atual) em subornos de executivos da construtora brasileira Odebrecht entre junho e setembro de 2012.

O ex-prefeito classificou a operação contra ele como uma "tentativa clara de interferência do processo eleitoral", e os cariocas parecem concordar com o político, ao darem-lhe o primeiro lugar nas eleições municipais que decorreram no domingo, e que terão a segunda volta dentro de duas semanas.

Já Crivella, que ao longo da campanha eleitoral procurou evidenciar os laços evangélicos e o cargo que ocupou de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada pelo tio, Edir Macedo, conseguiu distanciar-se das candidatas femininas que ameaçavam a passagem à segunda volta das autárquicas.

Apesar de ter recebido o apoio e apelo ao voto do próprio Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, Crivella não conseguiu ultrapassar Eduardo Paes.

Também Crivella não escapou a acusações de corrupção, tendo sido acusado em setembro, pelo Ministério Público, de chefiar um esquema peculato, fraude e branqueamento de capitais.

Na eleição deste domingo ficaram para trás nomes como os da lusodescendente Martha Rocha (do Partido Democrático Trabalhista), deputada estadual e ex-chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, que conseguiu apenas cerca de 11,3% das preferências dos `cariocas`, seguida de perto pela deputada federal Benedita da Silva (Partido dos Trabalhadores), primeira senadora negra do Brasil, antiga ministra no Governo Lula de Lula da Silva e ex-governadora do estado do Rio de Janeiro.

O Brasil realizou no domingo eleições para escolher os prefeitos e vereadores das câmaras legislativas de 5.567 cidades, número que exclui o Distrito Federal, onde a administração do território, incluindo a capital do país, Brasília, é exercida pelo governador, e também Macapá, capital do estado do Amapá, onde a votação foi adiada devido a problemas no abastecimento elétrico.

Ao todo, 147,9 milhões de eleitores brasileiros estavam aptos a votar no pleito.

Neste ano, o sufrágio deu-se sob uma preocupação redobrada com higiene e condições sanitárias dos locais de votação para evitar a proliferação do novo coronavírus.

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