"Presença sustentada". Plano para "conquistar" Gaza aprovado pelo Governo de Netanyahu

O Governo de coligação israelita aprovou um plano para "conquistar" a Faixa de Gaza e estabelecer uma "presença sustentada". Vai ser lançada uma nova ofensiva "intensificada" para manter o território ocupado e haverá um deslocamento significativo da população para "sua própria proteção".

Carla Quirino - RTP /
Norte da Faixa de Gaza Amir Cohen - Reuters

O plano foi aprovado por unanimidade numa reunião do gabinete de segurança e eleva o nível dos objetivos da ofensiva israelita no território palestiniano.

O gabinete de António Guterres, secretário-geral da ONU, já reagiu afirmando que esta ação “inevitavelmente levará a inúmeros civis mortos e à destruição de Gaza”. E insiste que "Gaza é e deve permanecer uma parte integrante de um futuro Estado palestiniano”.
Operação Gideon
Em comunicado, o general Brig Efi Dufferin, porta-voz militar israelita, explicou a nova ofensiva batizada como Operação Gideon.

Já com as movimentações em curso, o militar descreveu que “incluirá um ataque em larga escala e o movimento da maioria da população da faixa para protegê-los numa área estéril do Hamas. Decorrerão também contínuos ataques aéreos, eliminação de terroristas e desmantelamento de infraestruturas”.

Ainda no domingo, o chefe do Exército, tenente-general Eyal Zamir, deu conta de que dezenas de milhares de reservistas estavam a ser convocados para permitir que tropas regulares recrutadas fossem enviadas para Gaza.

Entretanto, mais de 70 por cento de Gaza está sob domínio israelita ou abrangida por ordens emitidas por Israel, comunicando aos civis palestinianos para abandonarem certos bairros.

As autoridades também confirmam que Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel , “continua a promover” a proposta feita em janeiro por Donald Trump para “deslocar os milhões de palestinianos que vivem em Gaza para países vizinhos como a Jordânia ou Egito, para permitir a reconstrução do enclave.

Em curso está um “programa de transferência voluntário para os moradores de Gaza”, progama esse que “faz parte dos objetivos da operação”, disse um alto funcionário de segurança israelita, citado no jornal britânico The Guardian.
Muitos estão contra o plano
O Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros já reagiu, afirmando que “o Reino Unido não apoia uma expansão das operações militares de Israel em Gaza. Lutas continuadas não são do interesse de ninguém”.

Em Israel, centenas de manifestações ocuparam as ruas em Jerusalém declarando-se contra o plano de Netanyahu. A coligação que representa a maioria das famílias de reféns mantidos pelo Hamas condenou a nova ofensiva e afirma que é mais uma ameaça à vida de reféns e soldados israelitas.

As organizações humanitárias também rejeitaram por unanimidade o plano de Israel ao estabelecer um número limitado de centros de distribuição de ajuda administrados por grupos privados e protegidos pela Força de Defesa de Israel no sul de Gaza.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) apontou o dedo a Telavive por tentar bloquear o sistema de distribuição de ajuda existente administrado pela ONU e os seus parceiros humanitários, a fim de impor seu próprio sistema de abastecimento.

“Isto viola os princípios humanitários fundamentais. É perigoso levar civis a entrar em zonas militarizadas para recolher alimento. Ameaça vidas enquanto entrincheira o deslocamento forçado”, alerta o OCHA.
Pressões opostas
O poder do Governo de Netanyahu depende fortemente do apoio da coligação que reúne partidos de direita linha-dura que são os mesmos que defendem há muito “a reocupação e reassentamento de Gaza”, que Israel deixou formalmente em 2005.

Durante a noite e o dia de segunda-feira, os bombardeamentos israelitas em Gaza não pararam, matando pelo menos 32 pessoas, entre as quais oito mulheres e crianças, de acordo com funcionários do hospital al-Shifa. Os ataques atingiram a cidade de Gaza, Beit Hanoun e Beit Lahiya.

O presidente norte-americano tem uma visita programada, no final deste mês de maio, à Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Estes encontros podem incentivar Israel a concluir um novo acordo de cessar-fogo e permitir a entrada de ajuda em Gaza.

Recentemente Trump disse que queria que Netanyahu fosse “bom para Gaza”. Porém, deverá enfrentar oposição às ideias do plano Gideon por parte dos anfitriões, que deverão pressionar Israel a fazer concessões para acabar com o conflito.
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